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Veja os 5 tipos de brasileiros que querem vir morar no EUA. Qual deles você é?

gustavochacra

21 Maio 2014 | 17h27

Tenho uma série de amigos com planos ou sonhos de se mudar do Brasil para outro país, especialmente os Estados Unidos, mas também nações europeias e mesmo o Uruguai. Como neto de imigrantes e eu próprio há nove anos fora do país, sou super a favor de as pessoas viverem no exterior por um tempo ou pelo resto de suas vidas se assim quiserem.

Mas existem diferentes motivos para vir morar aqui nos EUA. Eu citaria cinco modelos de imigrante.

O primeiro é o da pessoa que vem para os Estados Unidos para estudar, em busca da educação das fantásticas universidades americanas – os estudantes

O segundo é o brasileiro transferido ou contratado por uma empresa americana – os expatriados

O terceiro é o brasileiro que, muitas vezes de forma ilegal, vem aos Estados Unidos em busca de ganhar dinheiro– os trabalhadores

O quarto é o brasileiro que sempre sonhou em morar nos Estados Unidos porque gosta do estilo de vida americano. No caso da Europa, do europeu – são os sonhadores

O quinto é o brasileiro que tem dinheiro e emprego no Brasil, mas não aguenta mais o país e quer buscar no exterior segurança e estabilidade – os desiludidos (e não escrevo com uma conotação ruim)

Destes, os quatro primeiros sempre existiram. Os estudantes vêm mais quando a economia brasileira está bem e a moeda valorizada, pois possuem mais condições de pagar as universidades. Há também os bolsistas, que cresceram em número nos últimos anos. Os expatriados são transferidos por questões da empresa e individuais, com a demanda também favorecendo quando a economia do Brasil vai bem e há necessidade de especialistas no país aqui nos EUA. Os trabalhadores costumam vir mais quando a economia do Brasil vai mal e a dos EUA, bem. Os sonhadores sempre virão porque é algo da personalidade da pessoa

A novidade mesmo está nos desistentes. Eles também vieram nos anos 1980 e nos 1990. Diferentemente dos estudantes, dos expatriados, dos trabalhadores e dos sonhadores, eles não vêm com um plano claro – farei MBA em Chicago, vou trabalhar na Goldman Sachs para ganhar um mega-bônus, tentarei trabalhar na construção civil em Atlanta para sustentar minha família em Goiás ou ficarei surfando nas ondas da Califórnia e esquiando nas montanhas do Colorado. Eles vêm porque desistiram do Brasil.

E este é um fenômeno de imigração recente. Meus avós e os dos netos e filhos de imigrantes imigraram porque não tinham nada no Líbano, na Itália, no Japão ou no Leste Europeu. Os novos imigrantes têm o dinheiro. Mas não veem futuro no Brasil.

Não houvesse o obstáculo do visto, que tratarei em outro post, apostaria em uma imigração em massa de brasileiros de classe média alta para os EUA, incluindo muitos talentos profissionais em áreas necessárias ao país, como a medicina, engenharia e tecnologia. 

Obs. Eu era um sonhador, vim como estudante e me tornei um expatriado

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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