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Era óbvio que haveria um carro-bomba em Beirute

gustavochacra

09 de julho de 2013 | 12h14

Não é uma surpresa o atentado de hoje em Beirute, na área sul da cidade, em uma região de maioria xiita normalmente controlada pelo grupo Hezbollah, que deixou dezenas de feridos. No começo do mês passado, quando estive no Líbano, escrevi

 “O Hezbollah, por enquanto, é vitorioso na Síria. Mas sua imagem no Líbano se deteriorou devido ao seu envolvimento no conflito no país vizinho, especialmente entre os sunitas, que tendem a apoiar os rebeldes. Há o temor ainda de áreas xiitas de Beirute, como Dahieh, serem alvo de atentados terroristas cometidos por grupos opositores sírios – vale lembrar que alguns deles, como a Frente Nusrah, são assumidamente ligados à Al Qaeda.

Neste momento, o Líbano não ruma para uma guerra civil. Mas a instabilidade pode aumentar cada vez mais com o envolvimento direto do Hezbollah na Guerra Civil da Síria. Por outro lado, a consolidação da vitória de Assad deve reduzir a possibilidade de um conflito generalizado no território libanês.”

Na minha avaliação, este ataque não será suficiente para levar o Líbano a uma guerra civil neste momento porque as principais forças políticas domésticas e externas são contra. Isto é, o Hezbollah e seus aliados cristãos ligados a Michel Aoun, além da Amal, não querem guerra, assim como a opositora 14 de Março, controlada por sunitas moderados. Irã, Arábia Saudita, Síria, EUA e França também se opõem.

Por este motivo, para evitar a deterioração do cenário, Nabi Berri, líder do grupo xiita secular Amal, aliado do Hezbollah e dos cristãos, apontou o dedo para Israel. O motivo é óbvio – acusar os israelenses equivale a não acusar ninguém. Está claro que, neste caso, salafistas (uma vertente ultra radical do islamismo sunita e em crescimento no Líbano) libaneses ou refugiados sírios ligados aos rebeldes são os maiores suspeitos, exatamente como estava previsto. Outros ataques podem acontecer.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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