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Erdogan, um defensor dos sírios e palestinos, mas algoz de armênios, curdos e cipriotas

gustavochacra

27 de junho de 2012 | 13h41

no twitter @gugachacra

Recep Tayyp Erdogan, premiê da Turquia, condenou o bloqueio israelense a Gaza e a repressão das forças de Damasco aos opositores. Decidiu, nos dois casos, se posicionar contra um aliado, Israel, gritando publicamente com o presidente Shimon Peres, e um amigo pessoal, Bashar al Assad.

Nos dois casos, se envolveu, porém, em histórias mal contadas. Primeiro, no seu apoio à polêmica Flotilha de Gaza. Agora, com um avião que desrespeitou sim o espaço aéreo sírio – e os americanos admitem isso.

No fim, Erdogan se tornou herói dos palestinos, apesar de ele ter podido ajudar de outra forma, usando justamente seus canais de diálogo com Israel em vez de apoiar ativistas internacionais e desrespeitar um presidente. Na Síria, chutou “cachorro morto” ao condenar Assad, apesar de ter violado a soberania de um vizinho.

Ironicamente, em 2008, este Erdogan era diferente. Quase levou a um acordo de paz Israel e Síria. Reunia-se com Assad e com o então premiê de Israel, Ehud Olmert. O que aconteceu para esta mudança?

É o que devem se perguntar os curdos, que continuam sendo reprimidos e massacrados por Erdogan, lembrando Assad e suas ações contra os opositores sírios. Também se indagam os cipriotas, diante da política de assentamento turca de Erdogan no Chipre, bem superior à de Israel nos territórios palestinos. E os armênios também levantam questões, afinal Erdogan, sempre ele, não reconhece o Genocídio Armênio e nem mesmo permite debates sobre o assunto. Até parece o Ahmadinejad falando do Holocausto. Devagar, Erdogan também tenta quebrar os pilares laicos da Turquia, como se fosse um monarca do Golfo.

Este sultão hipócrita, porém, é importante porque ele comanda a Turquia, mais poderoso ator do Oriente Médio. Esperamos apenas que seu discurso pedindo a democracia na Síria e mais direitos aos palestinos se reflita também internamente. Afinal, armênios, curdos e cipriotas também são vítimas, mas da Turquia.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. Também é comentarista do programa Em Pauta, na Globo News. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios


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