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Eu queria ser jornalista de esportes e gritar Let’s Go Palmeiras e Vai Mets!

gustavochacra

02 de novembro de 2015 | 19h06

Como muitos amigos meus, especialmente alguns jornalistas, ficava acordado até tarde na minha infância e adolescência escutando no rádio as partidas do Palmeiras. Se pegasse no sono, adorava a surpresa de ver a ficha técnica no jornal no dia seguinte. Ligava também para 200-1982 da Telesp para saber os resultados. Passava o domingo vendo Show do Esporte na TV Bandeirantes, do Rui Chapéu à seleção brasileira de Masters, e voltava da praia implorando para o meu pai deixar escutar os jogos no rádio. Meus ídolos eram Ricardo Prado, Joaquim Cruz, Leão, Oscar, Paula, Hortência, Isabel e Montanaro e não filósofos. Meu sonho era para ir para a Olimpíada e ver o Palmeiras sair da fila.

No fim, virei jornalista. Mas, a não ser por um curto período na Folha, não fui da parte de esportes, com o grande editor Melquiades Filho (o Melk). Ainda assim, uma vez ou outra, falo de esportes. E foi o que ocorreu nos últimos dias com a minha cobertura da World Series do beisebol. E adorei. Cobrir esportes envolve também diversão. Envolve entrar no gramado da Citi Field ou do Pacaembu e ver de perto os jogadores. Envolve ver a emoção da torcida do Mets, que parecia a do Boca Juniors, do Palmeiras e do Besiktas em alguns momentos.

Além disso, no caso do beisebol, me sinto um pouco na obrigação de mostrar um pouco deste esporte e da cultura americana para quem está no Brasil. Muitos brasileiros, especialmente os mais jovens, já são alucinados pelos esportes americanos, sem deixar de lado os brasileiros. Há uma nova geração crescendo, mais sintonizada com o mundo. E entender a World Series e o beisebol, assim como o Super Bowl e o futebol americano, ajuda a entender os EUA.

E, neste fim de semana, veio o resultado final, com um brasileiro chamado Paulo Orlando conquistando a World Series pelo Kansas City Royals, derrotando o NY Mets. Parabéns para o Paulo Orlando que representa os brasileiros que deixaram de lado o preconceito para entender e admirar o beisebol. E os EUA, cada vez mais, também gostam do nosso futebol. Go Palmeiras!

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires