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EUA e Al Qaeda defendem a oposição na Síria

gustavochacra

25 de julho de 2012 | 11h54

Um dos maiores problemas para os Estados Unidos na Síria é o envolvimento da Al Qaeda na oposição. Agora, não dá mais para esconder que americanos e a rede terrorista responsável pelo 11 de Setembro estão contra o regime de Bashar al Assad. Isso não significa que Washington e os herdeiros de Bin Laden estejam atuando juntos ou tenham os mesmos interesses para a Síria no futuro.

Os EUA defendem o fim do regime e a democratização na Síria, mas sabem ser extremamente complicado atingir este objetivo. A Al Qaeda almeja o estabelecimento de um Estado islâmico sunita na Síria e no Iraque (atualmente uma pseudo-democracia sectária controlada por xiitas laicos) para lutar contra o Irã e Israel. Isso mesmo que vocês leram.

Nos últimos meses, a Al Qaeda tem usado terrorismo, incluindo atentados suicidas, contra o regime de Assad. A rede terrorista também alveja cristãos e alauítas, uma vertente moderada do islamismo, por serem duas religiões associadas ao regime.

A Rússia, defensora dos cristãos sírios, acusa agora os americanos de tentarem justificar o terrorismo na Síria. Afinal, as ações dos opositores, incluindo a Al Qaeda, são quase idênticas à de insurgentes que os EUA, incluindo na administração de Barack Obama, classificam como terroristas no Iraque.

Pode parecer irônico, mas os responsáveis pelo 11 de Setembro odeiam mais o Irã do que os EUA. E, para eles, não há problema em ter os americanos ao lado desde que o alvo seja aliado de Teerã, cristãos árabes ou membros de minorias islâmicas, como alauítas e xiitas. Para os americanos, ironicamente, parece que as vezes a Al Qaeda é um mal menor do que o Irã.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. Também é comentarista do programa Em Pauta, na Globo News. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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