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EUA e o Oriente Médio – Parte 1

gustavochacra

01 de novembro de 2008 | 20h21

Hoje publico o primeiro de três artigos sobre a eleição americana e o Oriente Médio. Começo pelas relações dos EUA com a tríade Líbano-Síria-Israel. Amanhã será a vez dos americanos e o processo de paz israelo-palestino. Na segunda-feira, Irã e Iraque. Portanto, pediria que os comentários dos leitores seguissem a ordem correta.

Síria – Israel – Líbano

OBAMA
Barack Obama defende o diálogo de Israel com a Síria. Para o democrata, os sírios são importantes para a estabilidade no Oriente Médio. Se eleito, ele deve dar início a uma iniciativa diplomática para se aproximar do regime de Bashar al Assad, incentivando o líder sírio a negociar com o próximo premiê de Israel, seja Benjamin Netanyahu, Tzipi Livni ou Ehud Barak.

Em teoria, a receita para a negociação todo o mundo conhece. A Síria quer seu território de volta. Israel exigirá que os sírios cortem relações com o Hezbollah e não usem as colinas do Golã, ocupadas em 1967, para lançar um ataque contra o território israelense. Seria um acordo similar ao assinado com o Egito para a devolução do Sinai. Damasco pode até aceitar romper com a organização xiita libanesa – há quem diga que este processo já começou há algum tempo. Como recompensa, os sírios devem barganhar uma espécie de “sinal verde” para atuar no Líbano. Isto é, o governo americano fingiria não prestar atenção nas ações de Damasco em Beirute. Este plano foi publicado na revista “Syria Today”, editada na capital síria.

Porém, além das questões de segurança, as colinas do Golã são estratégicas por causa do acesso à água, fundamental em uma área onde há enorme escassez. Este talvez seja o ponto mais delicado da negociação.

Um acordo de paz entre o Líbano e Israel é bem mais complicado devido à miríade de forças existentes no Líbano. Não estaria descartado, porém, um tratado de não-agressão e o retorno das fazendas de Shebaa.

MCCAIN

John McCain não quer conversa com a Síria. Tampouco pressionará os israelenses a dialogar. Ações como as da semana passada, na qual os Estados Unidos atacaram o território sírio, podem continuar. Isso não significa que, em seu governo, sírios e israelenses ficarão longe da mesa de negociações. Os dois lados já estabeleceram contatos indiretos. Se Tzipi Livni, do centrista Kadima, vencer, o processo tende a continuar. A Turquia e o presidente da França, Nicolas Sarkozy, devem ser os mediadores.

Já no Líbano, o republicano mantém excelentes relações com a coalizão governista 14 de Março, do premiê Fuad Siniora e do líder sunita Saad Hariri, que é contrária ao retorno da influência síria em Beirute. No entanto, em meados do ano que vem, haverá eleições no Líbano e há a possibilidade de o jogo de forças se alterar, com uma vitória do grupo opositor liderado pelos xiitas da Amal e do Hezbollah, aliados aos cristãos seguidores de Michel Aoun e a facções sunitas ligadas à Síria. Esta aliança, na visão de McCain, seria um fantoche do Irã e da Síria.

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