As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

EUA e o Oriente Médio – Parte 2

gustavochacra

02 de novembro de 2008 | 19h29

A segunda parte da série de três artigos sobre as eleições americanas e o Oriente Médio será sobre como o futuro presidente dos EUA pode influenciar o processo de paz israelo-palestino.

Os dois candidatos se dizem pró-Israel nas páginas de suas campanhas e em seus discursos. Porém, ser a favor do Estado israelense, pode ter uma série de significados. Para alguns, seria viver em paz com os seus vizinhos em fronteiras reconhecidas pela ONU. Para outros, é o direito de ter um país em todo o território que foi conquistado/ocupado em guerras.

Obama

O candidato democrata afirma no site oficial de sua campanha que ele tem “um forte histórico de apoio à segurança, paz e prosperidade de Israel”. Para Obama, “o direito de Israel de existir como Estado judeu nunca deve ser ameaçado”. Seu vice, Joe Biden, afirmou em debate que “ama Israel”.

Para Obama, um Estado palestino deve ser criado ao lado do israelense, sem dar detalhes sobre quais seriam as fronteiras. Em discurso na AIPAC, o senador chegou a dizer que Jerusalém era indivisível. Mais tarde, sua campanha corrigiu e afirmou que isso não significava que a cidade ficará de fora das discussões. O Hamas, segundo o democrata, não deve ser levado à mesa de negociações até que “reconheça Israel, abandone a violência e aceite os acordos assinados pela Autoridade Palestina”.

Um de seus principais assessores para questões israelo-árabes é Dennis Ross, que trabalhou para Bill Clinton com enviado especial ao Oriente Médio. Grupos denominados pró-palestinos afirmam que Ross seria integrante de um lobby pró-Israel. Ao mesmo tempo, ele é criticado por conservadores israelenses que se opõem a acordos com palestinos. No fundo, Ross indica que Obama terá uma posição próxima à de Clinton para o processo de paz. O candidato deve incentivar os dois lados a negociar, mas sem pressionar os israelenses, ao contrário do também democrata Jimmy Carter, durante as negociações de Israel com o Egito em Camp David, e o republicano George Bush (o pai).

McCain

John McCain não afirma em seu site oficial que os palestinos têm direito a um Estado. O candidato se diz um ardente defensor de Israel, mas não deixou claro até agora seus planos para a região. Em declarações no passado, o republicano afirmou que os EUA devem continuar fornecendo equipamentos e tecnologia militares para Israel se defender. McCain acrescentou que trabalhará para isolar os inimigos de Israel, como o Hamas. Segundo o senador republicano, ele nunca pressionará os israelenses a “fazer concessões para Estados ou movimentos que busquem a sua destruição”.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.