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EUA precisam cortar mesada da ditadura militar do Egito

gustavochacra

15 Agosto 2013 | 09h58

Meu comentário sobre o Egito no Globo News Em Pauta 

Existe o argumento de que os Estados Unidos, através de sua ajuda de US$ 1,3 bilhões por ano para o Egito, mantêm uma influência sobre os militares. Também dizem que este dinheiro favorece a paz entre egípcios e israelenses. Mas estes dois argumentos não se sustentam mais.

ATUALIZAÇÃO – Obama cancelou exercícios militares conjuntos com o Egito e condenou duramente a violência do regime de Sisi

Meu comentário na TV Estadão sobre a crise no Egito

Tanto a administração de Barack Obama, do Partido Democrata, quanto os dois mais importantes senadores republicanos na área de política externa, John McCain e Lindsey Graham, tentaram convencer o regime do General Sisi, no Egito, a evitar uma ação violenta contra a Irmandade Muçulmana. Infelizmente, fracassaram.

O General Sisi realizou um massacre superior a qualquer ação de Bashar al Assad antes da Guerra Civil da Síria, no primeiro semestre de 2011. Na época, um ataqueque matou 20 foi considerado repudiante. No Egito, segundo números do próprio regime militar do Cairo, são mais de 500 mortos. Este valor equivale ao de vítimas de 20 anos de regime militar no Brasil. Isto é, um dia igual a 20 anos.

A paz com Israel tampouco está garantida. O ex-presidente Mohammad Morsy, atualmente preso pelo regime de Sisi embora não tenha cometido nenhum crime, garantiu mais a estabilidade do que o atual regime e do que Hosni Mubarak. Isso mesmo.

Atualmente, o Sinai é terra de ninguém e com presença da Al Qaeda. Mubarak foi incapaz de evitar um conflito entre Israel e Hamas em Gaza em 2008-09. Morsy conseguiu negociar um acordo no ano passado, convencendo o grupo palestino a aceitar uma trégua com os israelenses.

Por este motivo, os EUA deveriam suspender a ajuda militar ao Egito até o general Sisi concordar em levar adiante uma transição real para a democracia, com a inclusão da Irmandade Muçulmana no processo. O Nobel da Paz Mohammad El Baradei, que vergonhosamente integrava esta ditadura militar, percebeu seu erro e renunciou ao fictício cargo de primeiro-ministro.

Que fique claro, Sisi é popular, assim como Assad é popular e Pinochet era popular.

Note que não defendo a Irmandade Muçulmana. O grupo errou quando estava no poder, chegando a desrespeitar instituições democráticas, e viu protestos de milhões de pessoas. Mas suas manifestações, até ontem, eram majoritariamente pacíficas e com um argumento louvável – a libertação de Morsy, eleito presidente democraticamente.

Lamentável também é o incêndio de Igrejas, embora não esteja claro quem sejam os responsáveis. 

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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