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EUA querem manter Exército da Síria intacto para não repetir erro cometido no Iraque

gustavochacra

01 de agosto de 2012 | 14h46

Os Estados Unidos querem manter as Forças Armadas da Síria intactas caso Bashar Assad deixe o poder. De acordo com o secretário da Defesa, Leon Panetta, os americanos não podem repetir o mesmo do Iraque, quando desmantelaram o Exército de Saddam Hussein, com muitos dos seus integrantes partindo para a insurgência contra a ocupação.

Na avaliação de Panetta, se as “forças de segurança sírias deixarem de lado as instalações com armas químicas, estas podem acabar nas mãos do Hezbollah ou de outros extremistas na região”. Apesar de o secretário da Defesa não ter mencionado, em Washington há um temor crescente com a presença de jihadistas e mesmo militantes da Al Qaeda em algumas facções da oposição.

A estratégia do Pentágono é convencer o maior número de oficiais a romper com Assad, em vez de desmantelar todo o regime, como aconteceu no Iraque depois da queda de Saddam. O governo dos EUA também aposta as suas fichas no general Manaf Tlass, que desertou, para liderar a oposição na transição. Com pinta de galã de cinema, sendo chamado na Síria de “homem mais bonito do mundo”, ele era amigo de infância do líder sírio e seu pai foi ministro da Defesa por mais de três décadas.

Portanto não esperem os EUA bancando muito esta oposição que tem cada vez mais ocupado território. Eles querem o mesmo regime em Damasco, mais democrático, e simbolicamente sem a figura de Bashar al Assad para agradar o público interno americano porque o líder sírio “é amigo do Irã”. Os que lutaram em Homs terão bem menos importância do que membros do Baath e das Forças Armadas. O governo Obama simplesmente não confia na oposição síria.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. Também é comentarista do programa Em Pauta, na Globo News. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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