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EUA temem radicais salafistas na oposição síria apoiados pela Arábia Saudita

gustavochacra

05 de abril de 2012 | 12h05

no twitter @gugachacra

Apesar de ainda defender publicamente a queda do regime de Bashar Assad em Damasco, o governo dos Estados Unidos está insatisfeito com o envolvimento de salafistas nas milícias armadas da oposição síria.

“Os EUA não estão interessados em armar os opositores sírios e se sentem desconfortáveis com a crescente participação de radicais sunitas (salafistas)”, afirma o analista Ayhan Kamel, em relatório da agência de risco político Eurasia. Segundo o especialista, os americanos não devem se intrometer em medidas de outros países para enfraquecer Assad, “mas suspeita das redes de salafistas usadas pela Arábia Saudita”.

Estes grupos, que eram marginais no início dos levantes, começaram a ganhar força dentro da Síria nos últimos meses. Alguns deles eram e ainda são inimigos dos Estados Unidos no Iraque. Além disso, eles ofuscam lideranças democráticas laicas na oposição síria e ameaçam as minorias cristãs e alauítas, que costumam ser associadas ao regime.

No Conselho de Segurança, a embaixadora Susan Rice também demonstrou cautela ao falar dos opositores na Síria. “As circunstâncias são diferentes da Líbia, sendo muito mais complexas. A oposição síria não consegue se unir e não controla nenhuma parte do território, como era o caso na Líbia”, disse.

Os rebeldes que lutavam contra Muamar Kadafi dominaram toda a região da Cirenayca, no leste da Líbia, incluindo grandes metrópoles como Benghasi. Na Síria, os opositores perderam para as tropas do governo o controle de algumas áreas ao redor de Idlib, na fronteira com a Turquia, bairros como Bab Amr, em Homs, e subúrbios de Damasco.

Para reverter a situação, os EUA concordaram em dar apoio financeiro para os opositores e também aparelhos de comunicação, deixando o armamento por conta da Arábia Saudita e do Qatar. Mas, em Washington, alguns políticos já questionavam como será gasto este dinheiro.

A conferência da oposição na semana passada em Istambul não obteve sucesso “para elaborar uma estratégia coerente para derrubar Assad”, de acordo com Kamel. Além disso, há ceticismo de que o regime sírio cumpra com o plano do ex-secretário geral da ONU Kofi Annan, retirando as suas tropas das áreas urbanas, e os opositores parecem cada vez mais “confusos” e “desunidos”.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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