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Filme palestino-americano Amreeka ensina até o que significa xeque-mate

gustavochacra

08 de setembro de 2009 | 20h06

O filme Amreeka é daqueles que todos os interessados pelo Oriente Médio vão se apaixonar, assim como ocorreu com Lemon Tree ou Caramelo. Descreve a vida de uma mãe e um filho palestinos que recebem o greencard e se mudam de Belém para uma cidade perto de Chicago. Tem um pouco de tragédia, mas a maior parte do enredo faz rir em uma comédia meio como as argentinas Filho da Noiva ou Clube da Lua. Quando a gente começa a ficar triste, com o menino sendo humilhado por um soldado israelense em um checkpoint na Cisjordânia, acontece alguma cena engraçada, com a avó reclamando que a filha não levou tomate para preparar o taboule.

Mas o melhor mesmo é a quebra de estereótipos

1.A família, que inclui também tio, tia e primos, é cristã palestina. Os americanos, como muitos também no Brasil, possuem enorme dificuldade para entender que a causa palestina não é islâmica, e sim nacionalista. Tampouco conseguem compreender que os cristãos vivem bem entre os muçulmanos
2.Os Estados Unidos, apesar de todas as críticas, ainda incentiva a vinda para cá de estrangeiros, inclusive palestinos
4.Os palestinos e os árabe-americanos tem uma renda per capita superior à da média americana, sendo considerados ricos
5.O diretor da escola é quem mais ajuda a mãe e o menino. Entende os problemas que ele e a mãe enfrentam e acaba se tornando uma espécie de protetor dos dois. Claro, filho de judeus poloneses, sabe bem o que representa o preconceito. Isto é, nos EUA, os judeus são, muitas vezes, os que mais entendem e ajudam os árabes. Não é à toa que filme está sendo exibido no Lower East Side e no Upper West Side, dois bairros tradicionalmente judaicos de Nova York

Para completar, no filme, aprendi o que significa a expressão xeque-mate. Em árabe, Sheik pode ser usado como líder religioso ou político e mate deriva de morte, matar em árabe, segundo explica a mãe para o diretor. Logo se deduz que xeque-mate é matar o rei. Nunca havia feito a ligação. Só me toquei ao ver a mãe explicando para o diretor da escola. Depois, pesquisei na internet e verifiquei que talvez a origem seja persa. Caso esteja equivocado, por favor, me corrijam.

Antes que me esqueça, Amreeka é, obviamente, América em árabe. No passado, era usado também para destinos como o Brasil. A ideia do continente era muito subjetiva na cabeça dos sírios e libaneses da época. Alguns, viajando para Santos, recebiam encomendas para entragar para o primo em Detroit. As famílias se espalharam. Hoje, há Chacras em New Hampshire, Montreal e São Paulo. Todos na Amreeka.

Não sei se o filme irá para o Brasil. Mas o trailer está no YouTube e o site oficial está aqui

obs. O livro foi produzido pela National Geographic

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