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Forças de Assad devem vencer a batalha de Aleppo

gustavochacra

28 de julho de 2012 | 12h07

As forças de Bashar al Assad devem vencer a batalha de Aleppo, assim como também derrotaram os opositores em Damasco. Este, porém, é apenas mais um duelo de uma luta ainda sem data para terminar. Nos próximos meses, veremos mais conflitos para controlar não apenas a mais populosa cidade da Síria, como todo o país.

A estratégia da oposição é se concentrar cada vez em uma cidade, ao mesmo tempo em que tenta conquistar território no interior. Por enquanto, na primeira parte, eles têm sido mal sucedidos. O regime conseguiu recuperar todos os centros urbanos importantes da Síria e o mesmo se repetirá em Aleppo.

No interior, o sucesso tem sido maior, especialmente nas fronteiras com a Turquia e o Iraque. Aos poucos, os opositores conseguem dominar território, embora ainda não estejam no mesmo patamar da oposição líbia depois da tomada de Benghasi. Provavelmente, ainda demorará um pouco para atingir este objetivo.

Estas áreas tomadas são, sem dúvida, um importante avanço. Mas também deixam claras as divisões da oposição. Há relatos de brigas entre milícias opositoras. A primeira divisão, mais óbvia, se dá entre os jihadistas e os guerrilheiros laicos. Mesmo dentro destes grupos, há uma série de divergências.

No campo político e diplomático, a oposição tampouco tem conseguido união. Os EUA, seus aliados europeus, a Liga Árabe e a Turquia demonstram insatisfação com estas brigas. Aos poucos, começam a especular sobre a possibilidade de lançar o general Manaf Tlass, que desertou no início do mês, como líder contra Assad.

Um dos melhores amigos de infância do líder sírio, Tlass é filho de um ministro da Defesa por 30 anos durante o regime dos Assad. Também é uma figura extremamente carismática. Sua pinta de galã e seu histórico de playboy em Paris, onde vive a multimilionária irmã, dão um ar ocidentalizado.

Esta imagem ajuda a acalmar a população mais laica da Síria. As minorias cristãs, alauíta, druza e a elite sunita de Damasco e Aleppo temem um regime conservador sunita ligado à Irmandade Muçulmana no lugar de Assad. Com Tlass, sabem que isso não ocorreria. Mesmo desertando, ele também conta com muitos aliados no Exército e no Partido Baath.

O regime, por sua vez, lutará para manter intactos seus bastiões nas grandes cidades e tentará vencer a oposição pelo cansaço. Sabe que contará com o apoio do Irã e da Rússia. Além disso, Assad tem certeza de que não haverá uma intervenção militar antes das eleições americanas em novembro. Até lá, ele espera ter estabilizado o país. Mas esta tarefa é quase impossível. A Síria não voltará ao status quo anti. O futuro, ninguém sabe.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. Também é comentarista do programa Em Pauta, na Globo News. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

no twitter @gugachacra