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Formandos da FGV preferem a Faria Lima a Wall Street

gustavochacra

26 de dezembro de 2011 | 11h46

Depois de três semanas de folga, estou de volta. No período, cheguei a escrever alguns textos. Mas hoje marca oficialmente o retorno. Nesta semana, colocarei a foto do encontro do blog em São Paulo.

Obs. Como vocês devem ter notado, agora os comentários são via Facebook. Vamos tentar nos adaptar

Quando morei nos Estados Unidos em 1993, voltei ao Brasil como “celebridade” entre os meus amigos. Afinal, assim como outros intercambiários da minha época, havia viajado para o futuro. Eram tempos em que o Brasil ainda engatinhava na abertura econômica e os EUA, mesmo com a “ameaça japonesa”, reinavam absolutos no mundo pós-União Soviética e sem uma China como rival.

Minhas roupas, relógio, tênis, tudo era mais moderno e chamava a atenção. Pior, no semestre em que passei vivendo na Carolina do Sul, a inflação havia subido cerca de 30% ao mês. Eu não possuía a menor idéia de quanto  custava o misto quente e um guaraná no clube.

Nestes sete anos vivendo em Nova York, com as passagens pelo Oriente Médio, o mundo se inverteu. Visito São Paulo e me sinto ultrapassado. Enquanto nos Estados Unidos os jovens enfrentam a maior crise desde a depressão nos anos 1930, os brasileiros da mesma idade ganham mais dinheiro do que quase todas as gerações anteriores do país. Afinal, acabamos de passar o Reino Unido como a sexta economia do mundo.

Um formando da FGV, da FEA ou da Produção da Poli atualmente está mais bem posicionado para conseguir um bom emprego do que outro de Princeton, Columbia ou Chicago.

Até quatro anos atrás, brasileiros vinham fazer MBA nos EUA com o sonho de, uma vez formado, ir para as sedes do Goldman Sachs e do JP Morgan em Wall Street ou Midtown. Agora, depois de concluírem os cursos em Stanford, Wharton ou NYU-Stern, eles querem voltar logo para São Paulo e trabalhar nos fundos de investimento e bancos estrangeiros ou brasileiros na Faria Lima e na Berrini.

Recém graduados das grandes universidades paulistas chegam a negociar até bônus com as instituições financeiras, segundo me relataram. Nos anos 1990, qualquer aluno da FEA aceitaria ir para um Citibank pelo salário que pagassem.

Estes jovens de 23, 24 anos nunca viveram uma crise de verdade no Brasil. Quando aprenderam a ler, a inflação não existia mais. Na desvalorização do Real, em 1999, estavam começando a aprender equações de primeiro grau, fatoração e produtos notáveis. Hoje, dominando bem mais o Excel do que os seus chefes na faixa dos 30, aproveitam o boom econômico do Brasil para ganhar mais dinheiro do que seus pais.

Não sabemos, porém, se os que hoje possuem 14, 15 anos terão a mesma sorte. Os EUA eram o paraíso até 2007.

Vale a pena ver esta entrevista do Dean da Escola de Jornalismo da Columbia, Nicholas Lemann, autor de recente reportagem sobre o Brasil na New Yorker

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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