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Fotos de Assad são substituídas por propaganda de celular

gustavochacra

12 de outubro de 2008 | 18h51

A primeira imagem que tive da Síria ao visitar o país nesta mesma época no ano passado foi a de Bashar al Assad. Centenas de fotos dele se espalhavam por quilômetros logo após atravessar a fronteira do Líbano para o território sírio. Fiz a mesma viagem na semana passada. Desta vez, a cena era diferente. Em vez dos pôsteres do presidente, havia anúncios da companhia de celular estatal.

Os hotéis da Síria estavam vazios em 2007. Podia-se hospedar com tranquilidade sem fazer reservas com antecedência e pagando preços que podem ser considerados baratos. Neste ano, todos os hotéis boutiques da cidade velha de Damasco estão praticamente lotados pelo menos até o fim de outubro. O mesmo ocorre com as poucas possibilidades no centro da cidade, como o estatal e decadente Cham Palace, o Sheraton ou o Meridian. E os preços são cerca de 50% mais altos.

Fiquei me perguntando o que ocorreu na Síria em um ano. Algumas explicações talvez façam sentido. No caso das imagens de Assad, pode ser uma tentativa dele de mostrar que ele é um líder moderno. Há alguns anos, o presidente sírio chegou a tomar uma iniciativa parecida. Mas depois retrocedeu. De qualquer forma, embora em menor quantidade, sua imagem ainda é vista em lojas, restaurantes e até mesmo em retrovisores de taxi.

O turismo aparentemente cresceu por diferentes motivos. Primeiro, a Síria tem investido em um setor que é fácil para o país vender no exterior com atrações como Aleppo, Damasco, krak Chevaliers e Palmyra. Em segundo lugar, a estabilidade no Líbano pode ter contribuído para o aumento do número de viajantes à Síria – muitos turistas aproveitam para visitar os dois países em uma só viagem.

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