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Giuliani apoia um grupo terrorista-comunista-islâmico e pró-Saddam?

gustavochacra

30 de abril de 2015 | 17h50

Os dois maiores inimigos dos Estados Unidos desde a Segunda Guerra Mundial foram o comunismo e, atualmente, o radicalismo de grupos terroristas que atuam em nome de uma vertente extremista do islamismo. Já imaginou um grupo que seja ao mesmo tempo comunista e extremista islâmico? E, para completar, tenha sido patrocinado pelo ditador Saddam Hussein, contra quem os americanos travaram duas guerras nos últimos 25 anos?

Este grupo existe e se chama Mujahedeen-e-Khalq. Ou, se preferirem, MEK, como ficou conhecido depois de contratar empresas de PR ocidentais para melhorar a imagem. O dinheiro de uma de suas líderes, uma multimilionária residente em Paris, também permitiu que este grupo fizesse um dos mais bem sucedidos lobbys da história recente de Washington – conseguiu o objetivo de convencer a então secretária de Estado Hillary Clinton tirou esta organização terrorista, que já matou americanos, da lista de terrorismo do governo dos EUA.

O grupo contratou para atuar como lobista, anos atrás, o ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani, do Partido Republicano, e o ex-governador de Vermont Howard Dean, do Partido Democrata. O senador John McCain é outro que já falou em nome do grupo. Ontem, de forma bizarra, o Congresso dos EUA abriu espaço para a líder do MEK criticar a política de Obama para o Irã por vídeo conferência.

Não tem o que dizer. É uma situação bizarra. Giuliani, um herói para alguns depois de sua liderança no pós 11 de Setembro, trabalha como lobista de um grupo terrorista, que foi apoiado por Saddam até 2003, com ideologia misturando marxismo com radicalismo islâmico, por mais antagônicos que seham. Sabe por que? Porque este grupo critica o regime de Teerã.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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