Governo constrói nova capital no subúrbio e centro do Cairo será abandonado
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Governo constrói nova capital no subúrbio e centro do Cairo será abandonado

gustavochacra

22 de março de 2009 | 04h47

Cairo pode seguir os caminhos de Nova Dheli, na Índia. Com o movimento para os subúrbios e a construção da Nova Cairo, a capital do Egito se transformará em duas. Uma antiga e decadente, onde está a praça al Tahir. Outra moderna e mais bem urbanizada, a quilômetros de distância dali. Mesmo antes do fim da construção, a mudança já começou. A tradicional Universidade Americana do Cairo deixou o centro da cidade e foi embora para um campus na Nova Cairo. O Museu Egípcio seguirá em breve para estrada que liga o Cairo a Alexandria, bem longe de onde está atualmentee, às margens do Nilo em meio a hotéis e restaurantes turísticos. Estes também já abriram filiais nos bairros mais afastados, percebendo a tendência. O golpe final será o fechamento de todos os ministérios no centro, que serão reabertos na Nova Cairo. O governo inclusive já começou a erguer edifícios para funcionários públicos na nova cidade.


Casarão abandonado em Garden City, no centro da capital

A elite já se mudou. Hoje, dois dos principais bairros da cidade são Heliópois e Maadi. O primeiro é uma espécie de Barra da Tijuca. Tornou-se praticamente uma cidade autônoma, uma “Dubai do Nilo”. Os edifícios são espalhados, muitos em condomínios fechados como na praia carioca. Shoppings gigantescos como o City Stars são o ponto de encontro das famílias nos fins de semana. Em vez de andar a pé, os habitantes usam carro. Maadi é parecido, mas soa um pouco menos artificial. Grande parte dos expatriados escolhe este bairro para viver. A única exceção é Zemalak, na ilha de Gezira (que, aliás, quer dizer ilha em árabe), no meio do rio Nilo quando ele corta o centro. Com seus clubes, lojas caras e boutique, é o Jardins, Leblon ou Recoleta do Egito. Parece um oásis no meio de tantos prédios abandonados e sujos do centro da cidade. Mesmo Garden City, construída no começo do século 20 pelos ingleses da mesma forma que a companhia City londrina loteou o Jardim Europa em São Paulo, com ruas tortas e mansões para os milionários do algodão da época – equivalentes dos cafeicultores paulistas -, tornou-se um bairro esquecido com casarões vazios. Vale apenas pela arquitetura.

Alguns egípcios mais tradicionalistas temem que, em algumas décadas, turistas estrangeiros viagem apenas para a Nova Cairo e, de lá, sigam para outros subúrbios para visitar as pirâmides, Heliópolis e Maadi. No meio, um centro esfumaçado de edifícios caindo aos pedaços com a miséria se expandindo, habitado por migrantes pobres e conservadores de outras regiões do Egito. Na realidade, o verdadeiro Egito.

Jerusalém mais uma vez

O atual prefeito de Jerusalém argumentou em entrevista para o New York Times que a cidade não tem como ser dividida e será a capital eterna de Israel. “Como nos negócios, algumas vezes a solução que parece óbvia para resolver um grande problema está errada”, disse Nir Barkat, que é um milionário do ramo da tecnologia.

No mesmo dia, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, afirmou que a chave para paz é Jerusalém e que apenas haverá justiça no Oriente Médio quando um Estado palestino for criado com a parte oriental da cidade como capital.

Atentado em Haifa

A polícia israelense conseguiu evitar um atentado contra um shopping em Haifa no norte de Israel. Um grupo que disse se denominar “Galiléia livre” assumiu a autoria. Eles seriam árabe-israelenses. Os serviços de segurança de Israel desconhecem a organização e seguem a investigação com foco nas cidades árabes de Acre e Nazaré.

Seria grave para todos caso árabes estejam por trás desta ação terrorista em uma cidade conhecida pela boa convivência entre judeus e árabes cristãos e muçulmanos. Os israelenses teriam o inimigo dentro de seu próprio território, com mais dificuldade para combatê-lo. Já os árabes sofreriam ainda mais preconceito, fortalecendo figuras racistas e fascistas como Avidgor Lieberman. Já ocorreram antes atentados cometidos por palestinos de Jerusalém. Mas estes não são cidadãos de Israel.

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