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Guerra, 1400 mortos, relatório da ONU, e, como resultado, mais túneis em Gaza

gustavochacra

22 de outubro de 2009 | 13h21

O resultado dos bombardeios e do cerco de Israel – com a colaboração do Egito – à Faixa de Gaza, segundo reportagem do The New York Times, foi o lucro milionário de contrabandistas do território, que levam todos os tipos de produto, de coca-cola a motocicletas, por meio de túneis também usados para traficar armas. Isso, dez meses depois da ofensiva contra o Hamas, que deixou 1.400 palestinos mortos (e 13 israelenses, sendo a maioria por fogo amigo) e levou a um relatório da ONU acusando os israelenses e o grupo palestino de cometerem crimes de guerra – Israel e outros países, como os EUA e a Inglaterra, afirmam que as Nações Unidas foram tendenciosas e que os israelenses tentaram ao máximo evitar a morte de civis.

“Antes da guerra em Gaza, o número de túneis ainda eram contados às centenas. Hoje, há 1.500 nas oito milhas (13 km) na fronteira [com o Egito], empregando cerca de 30 mil palestinos de todo o território”, escreve a correspondente do New York Times em Gaza, Taghreed El-Khodary. A repórter acrescenta que “os donos dos túneis – os novos ricos de Gaza – dizem que conseguem um rendimento de cerca de US$ 1 milhão por túnel”. Um túnel, diz a matéria, custa US$ 300 mil para ser construído.

A Faixa de Gaza era parte da Palestina Histórica. Na partilha da ONU, em 1947, integraria o Estado árabe. Mas, na Guerra de 1948, acabou nas mãos dos egípcios. Apesar de inimigo de Israel na época, o Egito não permitiu que os palestinos construíssem seu próprio país na área. Em 1967, Israel ocupou Gaza, assim como o Sinai, também do Egito, que acabou devolvido mediante acordo de paz anos depois.

Os israelenses ergueram assentamentos judaicos na Faixa de Gaza, onde chegaram a viver 8 mil colonos. Nesta época, palestinos de Gaza circulavam por Israel, onde muitos trabalhavam. Com a Primeira Intifada, começaram as restrições. A Autoridade Palestina, nos anos 1990, assumiu o controle do território nas negociações de Oslo.

Em 2005, Ariel Sharon, então premiê de Israel, ordenou a retirada dos assentamentos, mas manteve o controle aéreo e marítimo. Tempos depois, em 2006, o Hamas venceu as eleições palestinas, mas sua vitória não foi reconhecida internacionalmente, apesar de não ter havido fraude, pois o grupo é considerado terrorista pelos EUA e outros países. Em meio a um conflito interno, a organização derrubou o Fatah do poder e assumiu o controle do território.

Israel reagiu e implementou um cerco, fechando a sua fronteira terrestre, a não ser para a passagem de ajuda humanitária. O Egito fez o mesmo. O Hamas intensificou o lançamento de foguetes caseiros contra cidades israelenses na fronteira, como Ashakelon e Sderot. Depois de negociações, os dois lados chegaram a um cessar-fogo em meados de 2008.

Em novembro, Israel matou militantes do Hamas. O grupo considerou uma violação da trégua. Os israelenses argumentam que os militantes se preparavam para um ataque. A organização voltou a lançar foguetes. Israel deu um ultimato, não aceito, e começou a guerra. Um dos objetivos israelenses era eliminar os túneis. Não adiantou. Eles se multiplicaram. O cerco continua.

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