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Guerra Civil da Síria pode se expandir para Líbano e Turquia

gustavochacra

12 de abril de 2012 | 12h19

 no twitter @gugachacra

Com todos os seus defeitos, a Guerra Civil do Iraque, ainda em andamento, não atingiu outros países. Já a Guerra Civil da Síria, e este deve ser o nome utilizado, tem tudo para se transformar em um conflito regional. A Turquia ficou, para usar uma palavra branda, insatisfeita com os disparos que atingiram seu território. No Líbano, também ocorrem incursões diárias e o líder radical cristão Samir Gaegea foi alvo de uma tentativa de atentado.

No caso da Turquia, sabemos se tratar de um membro da OTAN. Se necessário, pode se envolver no conflito. Claro, terá em troca um aumento no apoio aos separatistas curdos, que se aproximam da Síria e do Irã. O custo não seria zero.

Já o Líbano seria sugado para a guerra civil síria, com facções pró-Assad entre os xiitas e os cristãos ligados a Michel Aoun, e facções anti-Síria entre os sunitas e os cristãos aliados de Samir Gaegea.

Como sabemos que a trégua de hoje não deve durar muito tempo e a Síria seguirá em uma guerra civil por meses ou anos, independentemente de uma ainda queda de Assad no longo prazo (ele não cairá agora, tenham certeza disso), a comunidade internacional deveria desde já agir para impedir que este sangrento conflito afete o Líbano.

Saad Hariri, líder sunita, e Hassan Narallah, do Hezbollah (xiita), não possuem interesse em um conflito. Os dois possuem muitos investimentos no Líbano para perder em uma guerra civil e são sofisticados politicamente para saber dos riscos envolvidos. Por outro lado, não descarto que grupos como o Partido Socialista Sírio, pró-Assad e majoritariamente cristão, e as Forças Libanesas (uma milícia radical cristã), de Gaegea, entrem em choque e levem os libaneses para o abismo.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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