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Guerra contra o Hamas é fácil; risco seria o Hezbollah abrir nova frente no Líbano

gustavochacra

27 de dezembro de 2008 | 10h20

A ação militar israelense na faixa de Gaza já deixou ao menos 230 palestinos mortos e mais de 780 feridos. O objetivo de Israel é acabar com os disparos de mísseis Qassam contra o seu território, que se intensificaram na semana passada quando o grupo Hamas decidiu abandonar o cessar-fogo.

Autoridades palestinas tanto do Fatah como do Hamas classificaram a ofensiva como crime de guerra. Israel afirma que pretende desmantelar a infra-estrutura terrorista do Hamas, que controla a faixa de Gaza.

A operação israelense não foi uma surpresa. Especula-se que alguns países árabes, como o Egito, tenham dado luz verde para Israel atacar o Hamas.

O que não está claro é o risco de ser aberta uma nova frente na fronteira norte de Israel com o Líbano. Nesta semana, o Exército libanês desmantelou oito mísseis do Hezbollah que estavam prontos para serem disparados contra o território israelense. O episódio pode indicar, primeiro, que a organização xiita está preparada para uma nova guerra contra os israelenses. Segundo, que o Exército libanês quis mostrar que tem atuado para desarmar o Hezbollah. Dessa forma, Israel teria dificuldades de acusar o governo libanês de não agir para impedir ataques do Hezbollah.

Combater o Hamas em Gaza não é difícil para Israel. O grupo palestino é fraco militarmente e não possui armamentos que possam colocar em risco os israelenses. Além disso, o Exército de Israel conhece bem a área e tem excelentes informantes inclusive no alto escalão do Hamas. Existe o temor de matarem o jovem soldado Gilad Shalit. Porém o militar israelense deve ser guardado como moeda de troca.

O perigo para Israel está mesmo na divisa com o Líbano. O Hezbollah, segundo estudo de uma academia militar americana, é mais poderoso do que qualquer Exército árabe. O grupo conseguiu combater Israel em 2006. Agora, teria se armado ainda mais, mesmo com a maior fiscalização do governo libanês e da Unifil (Forças de Paz da ONU). A organização xiita pode até atacar Tel Aviv.

Uma guerra com o Hamas significa “230 mortes em Gaza”. Já um confronto com o Hezbollah também pode levar a centenas de mortes no sul do Líbano. E, com certeza, outras centenas em Israel.

O Egito, Jordânia e Arábia Saudita estão do lado dos israelenses contra o Hamas, apesar de negarem publicamente. O Irã com certeza não. Resta saber como se comportará a Síria.

O que está claro é que o cenário lembra muito o de julho de 2006. Israel lança operação em Gaza e, dias depois, acaba em uma guerra no Líbano.

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