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Guia blogueiro para entender a queda da Bolsa na China

gustavochacra

24 de agosto de 2015 | 16h10

A crise que vemos na China neste momento possui o lado econômico e o lado financeiro. Os dois, obviamente, são interligados, embora o impacto da queda da Bolsa na economia seja menor do que o impacto da desaceleração da economia na queda da Bolsa.

Neste post, tento explicar o que tem produzido a desaceleração da economia chinesa e a queda acentuada das ações na Bolsa de Valores de Shangai. Noto que se trata de um texto para leigos. Economistas e investidores tendem a achar básico. Mas podem ajudar com informações e análises para contribuir ainda mais para o entendimento

Desaceleração Economia

 . A China vinha crescendo a patamares ao redor de 10% nas últimas décadas. Grande parte desta elevação do PIB se deveu a um crescente aumento das exportações e investimentos gigantescos do governo em infraestrutura.

. O PIB é igual a Gastos do Governo + Investimentos + Consumo + resultado da balança comercial (exportações – importações). Com um limite para investimentos e também de mercado para produtos chineses, houve uma desaceleração e hoje a economia chinesa cresce a 7%. Este valor seria excepcional para a maior parte dos países do mundo, mas é pouco para a China, que ainda possui uma enorme parcela da população pobre

. Para crescer mais, neste momento, os chineses precisam aumentar o consumo e isso exige uma série de reformas

 Vejam este gráfico do com o crescimento do PIB da China

 E este com a variação na balança comercial nos últimos dez anos

. Por enquanto, o regime chinês tomou apenas a medida de desvalorizar a moeda em cerca de 3% em relação ao dólar, buscando um aumento das exportações

Veja aqui o gráfico com a variação do valor do Yuan em relação ao Dólar nos últimos 5 anos

Queda da Bolsa de Shanghai

. A partir de meados do ano passado, a China passou a incentivar as pessoas a investirem em ações no mercado financeiro. Cerca de 40 milhões de chineses (população da Argentina ou Califórnia) abriram carteiras acionárias e a Bolsa de Shangai observou um crescimento de 150% até junho deste ano.

Veja aqui o gráfico da variação do índice da Bolsa de Shanghai no último ano

. Muitos destes novos investidores, usavam dinheiro emprestado para comprar ações, o que, aos poucos, passou a gerar preocupação no regime, que decidiu restringir estes empréstimos no começo deste ano. O resultado desta medida, porém, apareceu em maio, quando surgiram os primeiros sinais de que o mercado financeiro havia atingido seu ápice

. Em junho, começou a haver a queda e o regime chinês tomou algumas medidas para evitar o colapso do mercado financeiro. Segundo compilação do site VOX, as medidas foram

1) Banco Central forneceu dinheiro para o China Securities Finance Corp. para emprestar para investidores comprarem ações (revertendo as restrições anteriores)

 2)IPOs foram suspensos para evitar competição pelo investimento com as empresas previamente listadas na Bolsa de Shangai

 3) Pessoas com mais de 5% de ações de empresas passaram a ser impedidos de vender suas ações por seis meses

 4) Empresas, seus executivos e funcionários receberam ordens para comprar ações de suas corporações

 5) Pela primeira vez, fundos de pensão receberam autorização para investir em ações (até 30% do portifólio)

 Estas medidas, no entanto, conseguiram conter o caos por apenas um período. Na semana passada, os temores da desaceleração voltaram depois da decisão de o regime desvalorizar a moeda. Hoje, a Bolsa despencou 8,49% . Desde o auge, em junho, a queda é de 40% e já eliminou todos os ganhos no ano

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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