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Guia blogueiro para entender as eleições britânicas

gustavochacra

07 de maio de 2015 | 10h38

1. O que está em jogo nas eleições britânicas?

Hoje ocorrem as eleições no Reino Unido. Cerca de 50 milhões de eleitores elegerão 650 parlamentares. O resultado definirá se o conservador David Cameron permanecerá no cargo de premiê ou se o seu rival trabalhista Ed Miliband assumirá o comando do país. Para ter o comando, é necessário formar uma coalizão com 326 ou mais cadeiras

2. Quais os principais partidos e suas posições?

Tories (conservadores) – É o partido de direita, no poder desde 2010

Labour (trabalhistas) – É historicamente o partido de esquerda, embora tenha caminhado para o centro na administração de Tony Blair. Ficou 13 anos seguidos no poder, até 2010

Liberal-democratas (Lib-Dems) – De centro, defende liberdades na economia, onde se aproxima dos conservadores, e também em questões sociais, onde se aproxima dos trabalhistas

UKIP (Partido da Independência do Reino Unido) – Partido de extrema-direita em questões sociais, sendo abertamente anti-imigração e anti-União Europeia

Partido na Nacional Escocês (SNP, na sigla em inglês)– de esquerda, defende a independência da Escócia

Unionistas da Irlanda do Norte – centro

Sinn Fein – separatista, da Irlanda do Norte

3. O que dizem as pesquisas?

De acordo com previsão do site de estatísticas FiveThirtyEight, a distribuição das cadeiras tende a ser o seguinte

 Tories (Conservadores) – 281 cadeiras

Labour (Trabalhistas) – 266

SNP (escoceses) – 51

LibDems – 27

Unionistas – 8

Sinn Fein – 5

UKIP – 1

Outros – 11

4. Como é a formação do Parlamento Hoje

 a) Partidos do Governo

 Tories (Conservadores) – 302

LibDems – 56

b) Partidos de Oposição

 Trabalhistas – 256

Outros Partidos – 33

5. O que significam estes resultados?

Historicamente, um dos dois grandes partidos sempre conseguia sem dificuldades formar uma coalizão. Nas últimas eleições, os conservadores se aliaram aos LibDems. Desta vez, não será simples. Trabalhistas e conservadores dividirão dois terços do eleitorados, mas sobrará um terço nas mãos de outros partidos. Para complicar, os LibDems despencarão em número de cadeiras desta vez. Já o SNP, que tem uma agenda pró-independência da Escócia, é quem mais crescerá, dificultando coalizões

6. Cameron é o favorito?

Em teoria, o atual premiê terá o direito de formar a coalizão. Mas mesmo se aliado aos LibDems e a outros partidos menores, como UKIP, será extremamente complicado chegar ao número de 326 parlamentares para ser maioria. O principal problema nem será seu desempenho. Seu partido deve obter mais cadeiras do que nas últimas eleições. Mas os LibDems despencaram. O UKIP terá muitos votos, mas o sistema eleitoral o impedirá de ter mais cadeiras. A esperança é que os resultados de hoje sejam maiores do que o esperado.

7. Miliband pode ser premiê?

Também será complicado. Sua alternativa seria se aliar aos LibDems e também aos escoceses, mesmo que não formalmente, além de alguns partidos menores. Para dificultar ainda mais, seu partido deve ficar em segundo lugar. Há quase um século um segundo colocado não assume o cargo de premiê. Simbolicamente, é algo complicado

 8. O representa esta eleição para a União Europeia?

Cameron diz que, se os conservadores forem vencedores, será realizado um plebiscito em 2017 para decidir se o Reino Unido permanece como membro da União europeia. Pesquisas indicam que a população está dividida sobre o tema. Os trabalhistas e os LibDems são contra o plebiscito

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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