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Guia para corrigir informações erradas de islamofóbicos

gustavochacra

10 Maio 2014 | 14h23

1.  é errada, segundo pesquisa da BBC,  a história de que muçulmanos matam 100 mil cristãos por ano. O número seria de no máximo 7 mil, segundo mostrei em cálculos da BBC no meu blog. Mas, neste ano, é menos de mil, um valor bem inferior ao de muçulmanos mortos por milícias cristãs apenas na República Centro-Africana (noto que muitos usam estes dados por desinformação e não por serem islamofóbicos. Foi um erro em um cálculo)

2. As meninas sequestradas pelo Boko Haram são quase na sua totalidade muçulmanas, e não cristãs, como dizem 

3.  O conselho de clérigos da Organização d Cooperação Islâmica, que reúne 57 países, todas as entidades islâmicas dos EUA, o maior clérigo da Arábia Saudita e a mais importante do mundo árabe, Al Azhar, com sede no Egito, condenaram o sequestro das meninas e deixaram claro que o Boko Haram não representa o islamismo

4. Todos os países de maioria islâmica condenaram os atentados de 11 de Setembro (menos o Afeganistão)

5.  Nunca ocorreu um atentado terrorista em nome do islamismo antes dos anos 1980 (o terrorismo palestino antes disso, e mesmo depois, era nacionalista e um de seus principais líderes, George Habash, era cristão)

6. Os Estados Unidos são aliados de todos os países árabes do mundo, menos a Síria e o Sudão

7. Os Estados Unidos têm boas relações com todos os países de maioria islâmica do mundo, menos Irã, Sudão e Síria

8. A prefeita da sede da Autoridade Palestina (Ramallah) é mulher e cristã, assim como a prefeita de Belém

9. O Líbano tem presidente e metade do Parlamento cristãos

10. Lembre que os cristãos, protegidos por Saddam Hussein, começaram a deixar o Iraque durante a invasão dos EUA

11. E os cristãos da Síria, protegidos por Assad, temem grupos radicais opositores, apoiados por nações ocidentais

12. Os maiores alvos do terrorismo em nome do islã hoje são os regimes de Assad (Síria) e o governo do Iraque

13. O Irã é inimigo da Al Qaeda

14. O Hezbollah é inimigo da Al Qaeda

15. Nem todo árabe é muçulmano (muitos são cristãos) e apenas um quarto dos muçulmanos é árabe

16. A Guerra Civil que mais matou na última década foi a do Congo, na qual os muçulmanos representam menos de 10% e não foram atores importantes, enquanto os cristãos são cerca de 80% 

Claro, no Brasil, por algum motivo alheio à minha imaginação, condenar islamofóbicos ficou associado à esquerda e parece ser bacana atacar muçulmanos para as pessoas que dizem integrar a direita. Se alguém critica as pessoas por elas serem anti-muçulmanas, passa a ser chamado de esquerdista. Mas, no meu caso, eles se complicam, porque sou sabidamente um defensor do livre-mercado e nunca apoiei nenhum governo de esquerda no Brasil ou no exterior. Insisto, combater a islamofobia não significa apoiar governas de esquerda. Acho até absurda esta minha explicação, mas se faz necessária. E, se você defende o livre mercado e as liberdades individuais, não precisa ser contra os muçulmanos. Isso é uma invenção

E lembro que já fiz reportagens de perseguição a cristãos no Líbano, Síria, Egito e territórios palestinos. Fui dos raros que falei dos ataques de grupos rebeldes sírios à cidade armênia de Kassab e uma série de vezes combati casos de antissemitismo no Brasil e no mundo árabe onde há sim enorme sentimento antissemita. E, claro, já fiz reportagens sobre os judeus do mundo árabe uma série de vezes

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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