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Guia para entender a queda do avião russo no Sinai

gustavochacra

06 de novembro de 2015 | 14h35

A queda do avião russo da Metrojet no Sinai (Egito) foi um ato terrorista?

Ainda não foi oficialmente confirmado ter sido um atentado, mas há uma série de indicações de que a queda do avião tenha sido provocada por terrorismo. Autoridades britânicas, americanas e russas deram declarações cogitando ter sido um ato terrorista. Mas ainda não foi concluída a perícia e tampouco apresentaram uma prova conclusiva para saber o que causou a queda do avião 23 minutos depois da decolagem. Atualizarei caso se confirme ou não ter sido terrorismo.

Se foi terrorismo, quem teria sido o responsável?

O ISIS, também conhecido com Grupo Estado Islâmico ou Daesh, reivindicou a ação. Mas alguns analistas são céticos quanto a estas reivindicações. Outros lembram que há grupos no Sinai oficialmente afiliados ao ISIS. No passado, organizações terroristas cometeram uma série de atentados na região.

Caso se confirme ter sido terrorismo, como isso afetará a postura da Rússia na região?

A Rússia não intervirá no Egito e isso sequer é cogitado. O regime de Sissi é poderoso e aliado militar americano – e também aliado dos russos. Moscou acredita que o Exército egípcio tenha condições de combater o terrorismo. Na Síria, o governo Putin seguirá apoiando o regime laico de Bashar al Assad na luta contra o ISIS e outros grupos rebeldes extremistas islâmicos, sendo alguns deles, como a Frente Nusrah, ligados à Al Qaeda.

Como o Egito será afetado?

Será mais um duro revés para a economia do Egito, que ainda está longe de ter se recuperado da instabilidade da Primavera Árabe. O turismo é, depois do canal de Suez, uma das principais fontes de renda do país. O Cairo, porém, recebe apenas uma fração dos turistas que recebia no passado. Sharm el Sheikh, que é uma bolha, ainda recebia muitos turistas. Mas certamente verá um colapso do turismo, especialmente russo (um terço do total) no curto e médio prazo. Para completar, há um temor de que a repressão do regime de Sissi possa radicalizar grupos conservadores islâmicos no país.

 Como é Sharm el Sheikh?

É um paraíso. Suas águas, no Mar Vermelho, são transparentes e simplesmente fantásticas para o mergulho. Os hotéis são resorts, muito similares a Cancun (estive em ambos os lugares). Há tantos estrangeiros trabalhando ou viajando para Sharm el Sheikh que é possível cruzar com mais pessoas de outros países do que com egípcios. Para quem quiser sentir uma atmosfera do Egito ou do mundo árabe, Sharm el Sheikh não é o lugar recomendado. Provavelmente, seu instrutor de mergulho será americano, seu vizinho de quarto será russo e os restaurantes do hotel servirão pizza e hambúrger (talvez haja uma franquia de algum bom restaurante libanês). Dahab, um pouco mais ao norte e destino comum para israelenses no passado, é bem mais autêntico.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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