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Guia para entender acusação de Trump de que foi grampeado por Obama

gustavochacra

04 de março de 2017 | 21h49

O episódio do presidente Donald Trump acusar (no Twitter!), sem apresentar provas, seu antecessor Barack Obama de ter grampeado a Trump Tower quando este era presidente em outubro pode se transformar em um dos maiores escândalos da história dos Estados Unidos, superando até Watergate.

Primeiro, porque Obama, por meio de porta-voz, negou veementemente que ele ou qualquer um de sua administração tenha grampeado a Trump Tower. Neste caso, ou o presidente atual ou o ex-presidente está mentindo. Cabe, claro, ao acusador (Trump) o ônus da prova. Lembrando que, no passado, Trump dizia que Obama não tinha nascido nos EUA e afirmava ter “provas”. Anos depois, admitiu que Obama tinha nascido no país, mas nunca assumiu o erro ou pediu desculpas – e, óbvio, nunca mostrou provas porque estas não existiam.

Em segundo lugar, caso tenha havido grampo da Trump Tower como diz Trump, este foi legal ou ilegal?

Se foi legal, certamente não teria sido Obama que teria ordenado porque um presidente não tem este poder. O grampo teria sido ordenado por alguma agência como o FBI. Neste caso, Trump não teria falado a verdade ao acusar nominalmente Obama pelo grampo. E o FBI, que age de forma independente da Casa Branca, só poderia ter grampeado um cidadão americano por meio de um mandado judicial. Para consegui-lo, teria de mostrar evidências a um juiz de que algo que viola as leis estaria ocorrendo na Trump Tower. E sabemos que há uma investigação envolvendo supostas ligações da campanha de Trump com o governo da Rússia.

Se foi ilegal, como Trump sabe que foi Obama? Cadê as provas? Caso provas existam e Trump as apresente, Obama é um criminoso. Mas, se Trump não provar, terá falsamente acusado um ex-presidente de um crime.

É ultra grave.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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