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Guia para entender como está a Guerra da Síria

gustavochacra

07 de setembro de 2016 | 11h46

Faz tempo que não falo da Guerra da Síria e vou fazer um resumo aqui neste momento das partes domésticas envolvidas (em outro post, falarei dos atores externos)

Como está o cenário para Assad?

O regime de Bashar al Assad, com o apoio da Rússia, do Irã e do Hezbollah, segue vencendo o conflito. Controla quase todas as principais cidades do país. Conseguiu estabilizar completamente Damasco, que nem parece ser a capital de uma nação em guerra civil (certamente é mais segura do que muitas capitais brasileiras). Alcançou uma certa normalidade. Não há risco no curto e médio prazo para o seu regime. Seu único revés, recente, foi o atentado em Tartus, na costa Mediterrânea. A cidade, quase totalmente imune ao conflito, vinha sendo usada em propagandas para atrair turistas estrangeiros ao país e era um bastião de segurança. Mas trata-se de algo pontual. A meta de Assad, neste momento, é unificar Aleppo, maior cidade síria antes da guerra. Ele controla metade da cidade (equivalente à zona sul do Rio). A outra, nas mãos dos rebeldes, está quase totalmente destruída e seria equivalente à Zona Norte e Baixada Fluminense. Quando você vê bombardeios fortes na Síria, com muitos mortos, estes tendem a ser em Aleppo.

Como está o cenário para os rebeldes?

Entendem que não conseguirão vencer Assad e hoje até apresentaram um plano aceitando a permanência do líder sírio no poder por seis meses, durante uma transição – o regime não irá aceitar. O objetivo neste momento é não perder totalmente a guerra e conseguir consolidar algumas áreas por meio de acordos de cessar-fogo. Querem também se aproveitar do enfraquecimento do ISIS, também conhecido Daesh ou Grupo Estado Islâmico, para conquistar espaço. Eles têm se aproveitado do envolvimento da Turquia e dos EUA no conflito

Como está o cenário para o ISIS?

Não para de apanhar. O ano todo foi de derrota. Agora, está ilhado dentro da Síria e do Iraque, ao perder sua conexão com o território turco. Ainda mantém o controle de Mossul e Raqaa, mas pode perder ambas cidades até o fim do ano que vem. A tendência é não ter mais controle de nenhuma área no longo prazo (ao redor de 2018). Seus membros devem e já começaram a voltar para seus países. Alguns deles podem se envolver em atentados terroristas na Europa e outras partes do mundo. Isto é, o ISIS ficará mais parecido com a Al Qaeda de uma década atrás. Ao mesmo tempo, sem o tal califado, terá menos força para inspirar terroristas em muitos países.

Como está o cenário para os curdos?

Ambíguo. Eles têm conseguido importantes vitórias contra o ISIS, mantém uma relação de neutralidade com o regime de Assad, controlam grande faixa territorial na fronteira turca, mas tem sofrido com o envolvimento da Turquia. Não podemos esquecer que os turcos são inimigos, neste momento, de Assad, dos curdos e do ISIS. Seus aliados na Síria são os rebeldes, incluindo alguns grupos ligados à Al Qaeda

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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