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Guia para entender o atentado terrorista do ISIS em Londres

gustavochacra

23 de março de 2017 | 10h40

Obs. O ISIS reivindicou o atentado e autoridades do Reino Unido disseram que o terrorista é britânico

Atentados como o de Londres são impossíveis de serem evitados?

O atentado em Londres era impossível de ser evitado e demonstra que o ISIS, também conhecido como Grupo Estado Islâmico ou Daesh, encontrou uma fórmula de provocar terror em cidades ao redor do mundo com atentados em escala menor, mas extremamente eficientes em gerar pânico na população. Não foram necessários 56 mortos como nos ataques na capital britânica em 2005 – a ação com quatro vítimas de ontem provocou gigantesco impacto.

Como as autoridades britânicas podiam impedir que um motorista dirigisse um carro e decidisse começar a atropelar pedestres em uma das pontes mais turísticas de Londres? A única forma seria bloquear o tráfego indefinidamente nesta ponte. Mas e se o terrorista fosse para outra ponte? Fechariam todas as pontes? Proibiriam carros? Não tem solução.

Mas como conseguiram impedir os ataques da Al Qaeda?

A Al Qaeda, na década passada, treinava os terroristas e elaborava mega planos para atacar Londres, Madri ou Nova York. Os serviços de inteligência americanos e europeus interceptando comunicações, além de ações no Afeganistão e no Yemen, conseguiram praticamente eliminar o risco destes atentados. Umas das raras exceções foi o ataque do ISIS (e não da Al Qaeda) ao Bataclan em Paris. Esta mega operação pode ser comparada às da Al Qaeda nos tempos de Bin Laden – lembrando que por pouco dezenas ou centenas não morreram no estádio durante a partida da seleção da França.

Como o ISIS age?

Na maioria das vezes, no entanto, o ISIS, por meio de redes sociais, incentiva seguidores ao redor do mundo a, por exemplo, lançarem veículos para atropelar pedestres em locais de grande aglomeração de pessoas, como vimos em Nice, Berlim e agora em Londres.Estas ações de atropelamento de pedestres também são comuns em Israel, embora não sejam cometidas pelo ISIS. Não há, necessariamente, comunicação e treinamento. Outro modus operandi deste grupo terrorista é o uso de armas de fogo, como nos atentados de San Bernardino e Orlando. São ações mais fáceis que podem ser realizadas de forma independente por lobos solitários.

Qual a diferença entre os terroristas do ISIS e da Al Qaeda?

Outra diferença, nos atentados realizados no Ocidente, é que os terroristas do ISIS quase sempre são nascidos nos países onde realizam os ataques. Franceses na França, belgas na Bélgica e americanos nos EUA. No caso da Al Qaeda, muitas vezes, embora não sempre, eram estrangeiros de nações do Oriente Médio ou da Ásia Central.

Os terroristas em todos recentes atentados, de Boston a Paris, de Bruxelas a Londres e de Nice a Berlim, eram de alguma forma conhecidos das autoridades. Mas, como eles, há outros milhares e a maioria absoluta apenas difundirá seu radicalismo pelo Facebook e Twitter, sem oferecer riscos fora do mundo virtual. São “extremistas de sofá”. Não está claro porque alguns, em determinado momento, decidem levar adiante um atentado.

Os serviços anti-terrorismo do Ocidente estão agindo de forma correta?

Sim, os serviços de segurança de grandes cidades, como Londres e Nova York, já utilizam a estratégia correta. O mesmo vale para Israel. Esta estratégia pode ser lapidada e evoluída, mas não há muito o que mudar. O problema mais grave do terrorismo ainda é na Síria e no Iraque, com dezenas mortos todas as semanas em atos terroristas, embora com uma repercussão muito menor não apenas em países ocidentais, como também em nações como o Brasil, Índia e China. A Turquia também se tornou um grande alvo do terrorismo.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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