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Guia para entender o cessar-fogo na Guerra da Síria

gustavochacra

12 de fevereiro de 2016 | 12h36

A Rússia e os EUA anunciaram um cessar-fogo na Guerra da Síria. Esta trégua envolverá as forças do regime de Bashar al Assad e seus aliados, de um lado, e grupos rebeldes da oposição, do outro. Não estão incluídos no acordo a Frente Nusrah (Al Qaeda na Síria) e o ISIS (Grupo Estado Islâmico ou Daesh).

Como será o cessar-fogo?

Será implementado daqui uma semana. Além da cessação nos confrontos e nos bombardeios, o regime permitirá a entrada de ajuda humanitária a áreas controladas pelos rebeldes nos próximos dias.

Assad cumprirá o cessar-fogo?

Assad respeitará a decisão da Rússia. Mas aproveitará que a Frente Nusrah, um dos principais grupos rebeldes, não está incluída para seguir atacando esta organização ligada à Al Qaeda e seus aliados. O problema é que muitos grupos rebeldes envolvidos na trégua lutam ao lado da Frente Nusrah e é difícil, para não dizer impossível, diferenciar quem luta para quem.

Os rebeldes cumprirão o cessar-fogo?

Grupos rebeldes não ligados à Frente Nusrah devem cumprir, pois eles precisam da ajuda humanitária e estão perdendo a guerra. Mas alguns grupos talvez se sintam pressionados pela Frente Nusrah a seguir lutando. Os EUA não possuem sobre os rebeldes a mesma força que a Rússia possui sobre Assad.

O Irã, o Hezbollah e milícias cristãs e alauítas pró-Assad cumprirão o cessar-fogo?

Sim, pois agem em coordenação com Assad e com a Rússia.

Quem está ganhando a guerra?

As forças de Assad conseguiram enormes avanços nas últimas semanas. Recuperaram território na região de Daara, perto da fronteira com a Jordânia, e estão perto de voltar a controlar toda a cidade de Aleppo – atualmente, controlam a porção ocidental, que seria o equivalente      à zona sul do Rio. A parte oriental, equivalente à zona norte do Rio, está em ruínas e com presença de rebeldes. Hoje quase todos os principais centros populacionais na Síria, como Damasco, Homs, Hama, Tartus, Latakia e Aleppo estão com Assad. Os rebeldes possuem focos em subúrbios destas metrópoles e no interior. Os curdos, que são neutros em relação a Assad, tem o controle de áreas na fronteira com a Turquia. A Síria, aos poucos, lembra a Colômbia dos anos 1990.

E o ISIS?

O ISIS atua principalmente na região de Raqaa, distante dos principais conflitos entre rebeldes e Assad. O grupo, que é inimigo tanto do regime quanto de seus opositores, não está envolvido no cessar-fogo. Nos últimos meses, tem sofrido algumas derrotas para as forças de Assad e para a Rússia. No Iraque, também tem perdido espaço.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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