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Guia para entender o encontro entre Trump e Kim

gustavochacra

09 Março 2018 | 11h41

O encontro entre Trump e Kim é um avanço?

O encontro entre Donald Trump e Kim Jong Um é um avanço em relação às declarações hostis e até certo ponto infantis entre os dois lados no ano passado. Evita o risco, pelo menos momentaneamente, de um acidente levar a uma guerra. Além disso, a Coreia do Norte congelará novos testes nucleares e de mísseis balísticos, reduzindo a tensão.

Mas Kim não concordou em abdicar das armas nucleares, certo?

Alguns pontos têm de ficar claro. Defensores de Trump têm vendido a ideia de ser uma vitória do líder americano. Não é. Kim apenas concordou em CONGELAR seus testes, o que já havia feito no passado. O ditador norte-coreano NÃO ABDICARÁ de suas armas atômicas e muito menos das químicas e biológicas, que raramente são citadas. E mesmo assim conseguirá um encontro com o presidente dos EUA sem pré-condições, o que dá um verniz de legitimidade ao seu regime. Trata-se de uma gigantesca vitória para Pyongyang.

Qual o mérito de Trump?

Trump tem o mérito sim de ter a coragem em se arriscar em uma negociação com pouquíssima chance de sucesso. Não há muitas vias para ele sair vencedor. Ainda assim, temos de torcer pelo seu improvável sucesso. A não ser que, claro, ele reduza suas ambições e aceite uma Coreia do Norte nuclear. Nixon foi à China, mas após anos de negociações. Sadat foi ao Knesset em Israel, mas as negociações demoraram anos até conseguirem estabelecer a paz entre israelenses e egípcios em Camp David

Quais os obstáculos a serem superados?

Vamos aos fatos – 1) Trump precisará convencer a Coreia do Norte a abdicar das armas nucleares 2) caso consiga, o que é muito improvável, terá de convencer Pyongyang a eliminar seu programa nuclear, desativando centrifugas de enriquecimento de urânio e também suas instalações de plutônio, no que seria um acordo similar ao existente com o Irã, incluindo inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica 3) Após isso, terá de lidar com a questão das armas químicas e biológicas, que nunca estiveram na mesa 4) Precisará convencer Kim de que os EUA podem manter dezenas de milhares de militares, além de bases, na Coreia do Sul e do Japão, já que isso serve não apenas para conter a Coreia do Norte, como também a China

Por que a Líbia e o Irã afetam o pensamento de Kim?

Lembre que Kim sempre tem em mente Muamar Kadafi, que abdicou de suas armas de destruição em massa químicas e biológicas e de seu programa nuclear para tentar desenvolver uma arma atômica e acabou derrubado e morto. Saddam Hussein, idem. E o Irã, que fez um acordo com todas as potências ocidentais, se vê ameaçado agora com outro governo. Não há incentivos para ele abdicar de nada

De qualquer maneira, será um encontro histórico para se acompanhar