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Guia para entender quem venceu as eleições no Irã

gustavochacra

29 de fevereiro de 2016 | 12h11

O Irã é uma democracia ou ditadura?

O Irã não é uma democracia. Mas também é complexo descrever o país como uma ditadura. O regime, sem dúvida um dos mais repressores do mundo, possui algumas liberdades, como eleições e diferentes centros de poder

Quem manda não Irã

. O líder supremo, aiatolá Ali Khamanei – é o mais poderoso. Ele tem a voz final em muitas decisões, como o acordo nuclear do Irã com os EUA e outras potências

. Conselho dos Guardiães – formado por 12 juristas religiosos. Seis são escolhidos pelo líder supremo e seis pelo Poder Judiciário e aprovados pelo Parlamento

. Presidente – eleito pela população com mandato de quatro anos, com direito a uma reeleição. O atual, Hassan Rouhani, é considerado um moderado. O anterior, Mahmoud Ahmadinejad, era um conservador

. Parlamento – tem 290 membros, eleitos pela população para um mandato de quatro anos

. Assembleia dos Especialistas –responsável por escolher o futuro líder supremo, também é definida pelo voto

. Guarda Revolucionária – é uma força militar com enorme poder econômico e político.

Quem venceu as eleições para o Parlamento e Assembleia dos Especialistas nesta semana?

Parlamento – Moderados e reformistas, juntos, conseguiram a maioria dos votos no Majilis, como é conhecido o Parlamento, apesar de centenas de candidatos terem sido bloqueados. Os conservadores foram derrotados

Assembleia dos Especialistas – Também foi vencida por reformistas e moderados

Qual o significado deste resultado?

A vitória dos reformistas e dos moderados significa que o acordo nuclear foi bem recebido pela população. O governo de Rouhani se fortalece. No acordo, o Irã abdicou basicamente de suas vias para conseguir a bomba atômica em troca do fim das sanções econômicas. A população espera que reintegração do Irã à comunidade internacional melhore a economia, deteriorada pelas quedas no preço do petróleo e pelos anos de sanções.

Ao mesmo tempo, setores da sociedade iraniana querem mais liberdades em um regime repressor. O regime deve ser pressionado abrir um pouco e a respeitar mais os diretos humanos, mas continuará muito longe de ter as mesmas liberdades que na Europa ou mesmo América Latina.

E para Obama?

O resultado da eleição é uma vitória para o governo de Obama. Além de ter deixado o Irã mais distante da bomba, ajudou indiretamente a figuras mais moderadas e reformistas a vencer, o que contribui para a diminuição do radicalismo no país, atendendo aos interesses dos EUA.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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