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Guterman lança livro sobre futebol e Brasil, mas fala ao blog sobre Oriente Médio

gustavochacra

10 de outubro de 2009 | 12h13

Marcos Guterman é historiador, editor, blogueiro, santista e pai de dois filhos. Na Folha, foi um dos editores responsáveis pela cobertura do 11 de Setembro, Guerra do Afeganistão, Intifada, Guerra do Iraque, morte do Papa, morte de Yasser Arafat e uma série de outros eventos durante a primeira metade desta década. Depois, veio para o Estadão, onde revolucionou o portal do jornal, ao agilizar a edição e lançar o seu blog sobre política internacional. Acreditem, se hoje existem tantos blogs no Estadão.com.br, isso se deve ao Guterman.

Meu vizinho aqui na página, ele era meu editor de internacional na Folha, onde me deu conselhos importantes para a minha carreira. Também foi um dos responsáveis pela minha vinda ao Estadão, depois que terminei o mestrado na Universidade Columbia. Agora, lançou o livro “O Futebol Explica o Brasil”, pela Editora Contexto. Nesta entrevista para o blog, Guterman falará do livro e também um pouco sobre a política do Oriente Médio, uma de suas paixões. Aviso que o Guterman é convidado do blog e peço respeito nos comentários. O blog dele pode ser lido aqui.

Blog – Como historiador, jornalista e blogueiro, qual a sua sugestão para um acordo entre palestinos e israelenses?

Guterman – O caminho é óbvio: Israel deve aceitar um Estado palestino viável, o que significa em primeiro lugar, entre outras coisas, soberania total sobre fronteiras (e isso inclui a liberação do espaço aéreo e marítimo). Obviamente é preciso que os palestinos aceitem a contrapartida: reconhecimento pleno de Israel e renúncia inequívoca ao terrorismo. Como alcançar isso? Em primeiro lugar, os ânimos devem estar desarmados. Um bom começo é neutralizar atores externos cujo único objetivo é adicionar tensão para alimentar projetos imperialistas regionais – caso específico do Irã, que usa o Hamas e o Hizbollah para fustigar Israel, minar os esforços ocidentais e impedir a estabilidade desejada pelos Estados árabes, grandes inimigos de Teerã. A neutralização do Irã passa necessariamente por seu isolamento diplomático. Apaziguar o Irã não é prudente.

Blog – Você acha que haverá uma guerra entre Irã e Israel?

Guterman – Não acredito. Para que houvesse uma guerra, ela teria de ter a participação de mais países, porque os interesses nesse cenário são múltiplos – há os EUA, há os árabes e há a Rússia, que terá de se posicionar por causa de sua relação com o Irã. Se houve conflito, imagino que será localizado e rápido.

Blog – Agora, mudando de assunto, conte um pouco sobre o seu livro

Guterman – Meu livro é uma tentativa de contar a história do Brasil, a trajetória do país no século 20, a partir de seus reflexos no futebol. A relação entre o Brasil e o futebol é muito mais complexa do que a simplicidade do jogo sugere. Não é um esporte: é a afirmação do país, é a construção da identidade, é o mecanismo de desafio da hierarquia social. Ao pesquisar a história, percebi o quanto a economia e a política influenciam o futebol no Brasil e são influenciados por ele, e o quanto o homem brasileiro se define nos termos e na evolução desse esporte.

Blog – De onde surgiu a ideia?

Guterman – Surgiu da minha dissertação de mestrado, que versou sobre a Copa de 1970 e sua relação com o governo Médici. A idéia foi ampliar a relação para toda a história do futebol no Brasil.

Blog – Tendo estudado tanto o futebol brasileiro, por que você é santista e não palmeirense?

Guterman – Porque historiador gosta de ficar lembrando glórias passadas…

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