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Há menos revolta porque vítimas de terror foram negras e autor era branco?

gustavochacra

18 de junho de 2015 | 14h11

É impressionante como a comunidade internacional ficou mais chocada com a morte dos cartunistas franceses em ataque terrorista cometido por muçulmanos do que no ataque terrorista de ontem que matou negros cristãos cometido por um supremacista americano branco em uma igreja na Carolina do Sul, onde morei na high school e tenho a minha família americana.

Nove pessoas foram mortas pelo simples fato de serem negras quando rezavam em sua Igreja. O terrorista (ainda suspeito), tão terrorista quanto os irmãos Tsarnaev da maratona de Boston, se chama Dyllan Roof e tem 21 anos. Na sua foto no perfil do Facebook, de acordo com o New York Times, ele aparece com uma jaqueta com as bandeiras dos regimes racistas da África do Sul do Apartheid e do antiga Rodésia (atual Zimbábue).

Vocês já pensaram o que ocorreria se um muçulmano, com uma jaqueta com a bandeira do ISIS, também conhecido como Grupo Estado Islâmico ou Daesh, invadisse uma Igreja de cristãos brancos na Carolina do Sul e matasse nove pessoas que estavam rezando? Corretamente, e isso é importante, condenariam este terrorista e todos se solidarizariam com as vítimas (no estilo #JesuisCharlie). Mas também aumentaria a pressão certamente para o presidente Barack Obama enviar tropas terrestres para o Iraque e a Síria, em uma nova guerra que custaria trilhões de dólares e milhares de vidas de jovens americanos sem solucionar nada. Além disso, os islamofóbicos voltariam a dizer que o islamismo é religião da violência.

Morrem nove negros  em um ato terrorista e cadê a revolta? É menor porque são negros? Se for isso, é racismo. E o problema é o terrorista ser branco e não um muçulmano árabe? Neste caso, seria uma mistura de racismo com islamofobia.

O ataque terrorista de hoje foi o mais grave ato de terrorismo em número de vítimas em solo americano desde o 11 de Setembro. Roof e sua ideologia supremacista são tão repugnantes e grotescos como membros da Al Qaeda e seguidores da ideologia extremista islâmica. Basta lembrar que o segundo maior atentado da história americana também foi cometido por um supremacista, em Oklahoma.

Moro nos EUA e está claro que, nos últimos meses, a tensão racial aumentou para um de seus maiores patamares neste século. Isso não significa que tenha aumentado o racismo. São coisas distintas. Os EUA têm um presidente negro, secretária da Justiça negra, com antecessor negro, dois ex-secretários de Estado negros e algumas de suas maiores celebridades. Mas isso não tem sido suficiente para conter a violência racial.