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Hezbollah e seus aliados cristãos venceriam uma guerra civil no Líbano

gustavochacra

23 de agosto de 2012 | 12h29

A Síria não tem mais jeito, conforme escrevi aqui uma série de vezes. Apenas resta esperar e ver qual será o resultado final. Já o Líbano ainda tem salvação, embora a guerra civil na Síria comece a penetrar em suas fronteiras. Cada dia que passa, mais difícil fica evitar a eclosão de um conflito civil, mesmo de baixa intensidade.

Em Trípoli, existe um confronto entre alauítas (raros no Líbano) e sunitas ligados à Arábia Saudita anterior aos levantes na Síria. Em 2007, fiz uma reportagem no local. Mas outras forças da cidade têm condições de conter as brigas. O mesmo se aplica aos campos de refugiados palestinos (lembro que Naher el Bared foi também em 2007).

Na divisa com a Síria, depende muita da região. Algumas áreas são majoritariamente sunitas, como ao redor de Trípoli. Mas esta faz borda com regiões alauítas e cristãs na Síria, totalmente associadas a Assad, como Tartus e Latakia. No vale do Beqa, Baalbeq e seus arredores são majoritariamente xiitas. Mesmo com esta religião sendo irrelevante na Síria, o Hezbollah e, em menor escala, a Amal são aliadas de Assad. Outros pontos, porém, tem controle de sunitas favoráveis à oposição.

Tirando estes focos de conflito, no resto do país, uma guerra seria inviável porque existe um lado mais forte do que o outro, por enquanto. Em uma guerra, o Hezbollah, com seus aliados cristãos (e alguns sunitas pró-Assad), venceriam os sunitas (e seus outros aliados cristãos) com facilidade.

Em 2008, o Hezbollah tomou o centro de Beirute, incluindo os bairros sunitas, em algumas áreas. Estamos falando aqui da mais poderosa guerrilha do mundo atualmente, capaz de bater de frente com Israel e suas poderosas Forças Armadas. Os milicianos sunitas, mesmo ligados à Al Qaeda em alguns casos, equivalem ao XV de Jaú para o Barcelona.

Além disso, Saad Hariri, ainda maior nome do sunitas anti-Assad no Líbano mesmo há um ano e meio longe do país, com seus investimentos não apenas no Solidere (centro reconstruído de Beirute), como também na recém inaugurada marina de Beirute e no Beirut Suqs, perderia e muito em um conflito.

Enfim, esta é a radiografia do Líbano, sem maiores detalhes, hoje. Temo, claro, sempre um agravamento nas tensões entre os cristãos a favor e contra a Síria, no tradicional clássico Zgarta versus Bsharri, ou Frangieh (ou Aoun) contra Samir Gaegea.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. Também é comentarista do programa Em Pauta, na Globo News. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

no twitter @gugachacra

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