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Ao recusar encontro com Carter, Hezbollah mostra que não quer paz

gustavochacra

15 de dezembro de 2008 | 08h44

Os lideres do Hezbollah, entre eles xeque Hassan Nasrallah e o seu numero dois Naim Qassem, não quiseram se reunir com o ex-presidente dos Estados Unidos e Nobel da Paz Jimmy Carter. Tampouco parlamentares que são membros da organização xiita libanesa concordaram em se encontrar com um homem que nos últimos anos tem se dedicado à paz ao redor do mundo.

O motivo alegado pelo Hezbollah é que os Estados Unidos colocaram o grupo na lista de organizações terroristas internacionais. O que Carter tem a ver com isso não dá para saber, afinal ele deixou a Presidência americana em 1981, antes da criação do grupo libanês.

Carter é com certeza o presidente dos EUA que mais contribuiu para a paz entre árabes e israelenses ao negociar os acordos de Camp David entre Anwar Sadat e Menachem Begin. Mais do que isso, se transformou em um dos defensores da causa palestina. Escreveu um corajoso livro sobre o conflito israelo-palestino chamado “Peace, not Apartheid”. Apesar da oposição do governo dos EUA, aceitou dialogar com membros do Hamas, como Khaled Meshal.

Em cinco dias de visita ao Líbano, Carter se encontrou com lideres de quase todas as facções políticas e religiosas do país. Depois, na Síria, foi recebido por Bshar Al Assad. Apenas na Hezbollândia ele não foi bem vindo.

Por muito tempo, defendi que o Hezbollah fosse integrado ao processo político e se tornasse um ator importante em negociações. O problema é que a organização xiita libanesa não quer paz com Israel e tampouco estabilidade interna no Líbano.

No verão de 2006, eles seqüestraram e mataram soldados israelenses dentro de Israel em ato de provocação. O Hezbollah sabia que Israel reagiria. No fim, o Líbano como um todo teve que pagar o preço de uma guerra que não era libanesa, mas do Hezbollah, do Irã e da Síria,

Dois anos mais tarde, em maio deste ano, o Hezbollah não aceitou que o governo libanês interviesse em sua rede de comunicações e no seu controle sobre a segurança do aeroporto. A resposta veio rápido, com um ataque sectário no qual os membros do grupo tomaram as ruas sunitas de Beirute.

Este é o Hezbollah. Qualquer grupo favorável a paz aceitaria se encontrar com Carter. Não é o caso da organização xiita libanesa. Antes deles, Robert Mugabe, o ditador do Zimbábue, impediu a entrada do ex-presidente americano no país africano.

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