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Hoje, 11 de Setembro de 2011, no Ground Zero, em Nova York

gustavochacra

11 Setembro 2011 | 17h33

as fotos podem ser vistas no twitter @gugachacra

ESPECIAL: Dez Anos do 11 de Setembro

 

No 11 de Setembro de 2011, eu estava no Ground Zero junto com os familiares das vítimas do maior atentado terrorista de toda a história. Dez anos atrás, bilhões ao redor do mundo ficaram chocados para sempre com as imagens dos aviões lançados contra o World Trade Center. Já estas pessoas ao meu lado hoje de manhã perderam seus pais, seus filhos, suas mulheres e seus maridos. E cada vez que vêem as torres em chamas, elas se lembram também da imagem de seus parentes mortos naquela terça-feira de sol dez anos atrás.

Alguns traziam na camiseta fotos de pessoas congeladas no tempo em datas anteriores aos ataques da Al Qaeda. Uma delas dizia “We Love you Rob”, um jovem sorridente do mercado financeiro. Outros vestiam uniformes do corpo de bombeiro ou da polícia em homenagem aos pais ou aos filhos. Era comum carregarem pôsteres com mensagens para as vítimas. Muitos preferiam ser discretos, apenas abraçando os outros parentes.

O ritual era o mesmo para todos. Quando as letras começavam a se aproximar do filho ou do pai na leitura, diante de Barack Obama e George W. Bush, as famílias se abraçavam. Ao escutarem, desabavam em choro. Depois, com lágrimas nos olhos, caminhavam para o espelho d’água com as cascatas nos locais exatos onde estavam as torres. Era o momento de ver o nome deles gravados para sempre em bronze.

Um casal de idosos estava ansioso porque o nome do filho ainda não havia sido lido e eles imaginaram que tivessem esquecido. Na realidade, era apenas uma pausa para um minuto de silêncio do momento em que um aviões se chocou contra o Pentágono, às 9h37. Quando a leitura recomeçou, ao oescutarem o nome dele, o pai e a mãe, na faixa dos 60 anos, choraram unidos e se retiraram em direção ao memorial.

Ao olhar para o lado, via que, como eu, quase todos os jornalistas e membros do staff estavam lacrimejando. Uma coisa é ver as cenas dos aviões pela TV. Outra é estar diante de quem perdeu os parentes neste horrendo atentado terrorista. A dimensão muda completamente.

Imaginem a mãe e o irmão de Gary Frank, morto quando trabalhava no 92 andar de uma das torres. Eles ficaram firmes, até o fim, ajudando a consolar outros parentes. Ou o menininho de 10 anos que nem sequer havia completado o primeiro aniversário quando o pai morreu e disse que sonhava um dia tê-lo ao lado como companhia em uma partida de baseball.

Eram pessoas de todas as classes sociais, de todas as idades. Do imigrante dominicano mais pobre à mulher de um investidor em derivativos que estudou em Princeton. Era o pai que perdeu o filho de 30 anos e o filho de 30 anos que perdeu o pai. Todos na mesma situação, vítimas de uma tragédia inesperada em uma terça 11 de Setembro dez anos atrás.

Hoje acordei às 4h da manhã. Às 5h, estava caminhando nas ruas escuras do Battery Park até a entrada da imprensa na esquina da Albany com South End Avenue. A parte sul de Manhattan, como uma década atrás, estava totalmente bloqueada por questões de segurança. Ao me aproximar, comecei a ver de perto mais uma vez a nova torre ainda iluminada com as cores da bandeira americana.

Depois de passar pelo rigoroso esquema de segurança, acompanhei estes momentos que realmente demonstram o tamanho da atrocidade que foram aqueles atentados.  Mas Nova York segue de pé e hoje mesmo teriam partidas de baseball, de futebol americano, a final do US Open de tênis e o New York Fashion Week. Os nova-iorquinos foram normalmente ao cinema, aos restaurantes, ao Central Park, aos museus. O memorial, certamente, simbolizará o dia mais triste na história desta cidade.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios