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Implosão da Síria começa a virar explosão atingindo Líbano, Iraque, Jordânia, Turquia e Israel

gustavochacra

22 de junho de 2012 | 12h07

no twitter @gugachacra

Não há como impedir a implosão da Síria, conforme escrevi em dezenas de posts. O cenário de guerra civil certamente irá se deteriorar nos próximos meses, independentemente de intervenções externas ou queda de Bashar al Assad.

Para complicar, cada vez será mais difícil impedir a explosão da Síria. Isto é, que o conflito atravesse as fronteiras de forma definitiva como já acontece no Líbano e, em menor escala, na Jordânia, Turquia e Iraque. Apenas Israel ainda não foi afetado.

No caso libanês, o presidente Michel Suleiman convocou um diálogo nacional com as tradicionais autoridades sectárias libanesas. Mas será preciso ajuda da comunidade internacional para exercer pressão sobre Hassan Nasrallah, Saad Hariri, Michel Aoun, Samir Geagea e Walid Jumblat. Em alguns bairros de Trípoli e em áreas do vale do Beqaa já há um embrião de conflito armado.

A Jordânia mantém relações comerciais normais com a Síria pois precisa do país vizinho para exportar seus produtos via Mediterrâneo. Além disso, o rei Abdullah enfrenta levantes internos contra o seu regime. Ele sabe que pode ser o próximo da lista se cair Assad. Ao mesmo tempo, milícias da oposição treinam no território sírio.

A Turquia pode se defender por ser uma nação poderosa. Mas Assad já ampliou suas ligações com o PKK (grupo separatista curdo) e fará de tudo para irritar a administração de Recep Tayyp Erdogan.

No Iraque, os recentes atentados contra alvos xiitas deixam claro que sunitas da oposição síria estão trabalhando em conjunto com seus aliados iraquianos. A chance de agravamento da crise é enorme.

Israel não tem com o que se preocupar ainda. A tática de negligência benigna, sem se meter nos assuntos sírios e esperando o resultado, é correta. Os israelenses devem manter um plano de contingência para a sua fronteira contra o Líbano caso grupos pró-Síria (não necessariamente o Hezbollah) lancem operações. Não há perigo nas colinas do Golã neste momento.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. Também é comentarista do programa Em Pauta, na Globo News. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios