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Irã apóia Hezbollah contra Israel, mas reprime curdos em seu próprio território

gustavochacra

17 de dezembro de 2008 | 23h46

Os curdos são uma das maiores nações sem Estado em todo o mundo. Calcula-se em quase 25 milhões a sua população. Há décadas são reprimidos no Irã e na Turquia. A Síria é um pouco mais branda, mas mesmo assim a população curda muitas vezes é tratada com inferioridade pelo regime de Damasco. No Iraque, Saddam Hussein usou armas químicas contra os curdos do norte do país. Porém estes curdos iraquianos são os que vivem melhor atualmente, em um território quase autônomo no norte do Iraque.

A partir desta região, segundo o Irã e a Turquia, o PKK – grupo separatista curdo – tem aproveitado para atacar os países vizinhos. Em resposta, os regimes de Ancara e de Teerã lançaram uma ação coordenada contra os curdos na fronteira com o Iraque, incluindo bombardeios aéreos. Segundo os dois países, o Curdistão iraquiano não tem agido para impedir as operações do PKK.

Os curdos são uma etnia com língua própria que habitam esta região que foi a fronteira dos Impérios Otomano e Persa. A maior parte da população é sunita, mas a religião não tem muita importância para os curdos.

A questão curda serve para observarmos os dois pesos e duas medidas de alguns países. A Turquia reconhece o Estado ilegal no norte do Chipre porque, na região, a maior parte da população é etnicamente turca e não grega. Situação idêntica à dos curdos em parte do território da Turquia. Já o Irã é um dos maiores defensores da criação de um Estado palestino. Mas sempre rejeitou a idéia de um Curdistão em parte de seu território. Tampouco consegue ver similaridades entre o PKK e o Hezbollah. Por que um pode e o outro não?

Obs. Estou no Brasil para o Natal. Em breve, vou para Israel, Jordânia e territórios palestinos.

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