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Irã – Ataque preventivo, sanções, diálogo ou aceitação da bomba atômica?

gustavochacra

10 de novembro de 2011 | 12h18

no twitter @gugachacra

A questão das armas nucleares iranianas envolve quatro diferentes frentes. Primeiro, em Israel e nos Estados Unidos, há defensores um ataque preventivo contra instalações do programa atômico do regime de Teerã.

A segunda linha acredita que devam ser adotadas sanções ainda mais duras em uma quinta resolução. O foco desta vez seria o setor petrolífero e o sistema financeiro iraniano. Esta visão conta com o apoio da administração Obama e dos governos da França, Grã Bretanha e Alemanha.

Rússia e China são os defensores da terceira alternativa, argumentando ser necessário mais diálogo com o regime iraniano. Por último, existem aqueles que acham necessário o Irã ter armas atômicas para se defender. Esta frente tem seus simpatizantes não apenas no regime de Teerã, mas também em setores anti-Israel e anti-EUA da comunidade internacional.

Cada uma destas visões têm seus prós e contras. Uma ação preventiva neste momento seria a última chance de eliminar o programa nuclear iraniano, dizem seus defensores. Os críticos argumentam que este ataque levaria o Oriente Médio para uma guerra, com o milhares de mortos e elevação acentuada do preço do petróleo em uma economia global ameaçada por uma nova recessão. Mais grave, talvez não fosse capaz de atingir o objetivo de destruir os ideais atômicos atribuídos ao Irã.

Sanções são a prioridade no momento. Seria uma forma de pressionar ainda mais o Irã a rever suas decisões. Mas quatro rodadas anteriores fracassaram neste objetivo. Estas medidas tampouco impediram a Coréia do Norte de desenvolver bombas atômicas. O resultado pode ser o empobrecimento da população, sem efeitos práticos no regime. Saddam Hussein sobrevivou mais de uma década com sanções similares. O regime também pode apelar ao mercado clandestino para vender petróleo. E os chineses já elevaram sua aquisição de barris produzidos pelo regime de Teerã. O Irã é hoje seu terceiro maior fornecedor.

O diálogo diplomático, como querem russos e chineses, não conseguiu nenhum resultado relevante em quase dez anos. Seria improvável que o cenário se alterasse agora. Sem pressão, seria ainda mais difícil de os iranianos cederem. Porém traz a vantagem de não isolar totalmente o regime. Sempre é bom manter uma via de comunicação.

Aceitar a bomba do Irã implicaria no aumento do poder geopolítico do regime na região. Poderia também levar a Arábia Saudita e a Turquia a buscarem armas nucleares, apesar de estas duas nações não terem tentado seguir este caminho quando Israel produziu a sua. Por último, existe o temor de alguns que temem a possibilidade de Teerã lançar uma bomba contra Tel Aviv ou contrabandear um arma suja com materiais nucleares para o Hezbollah. Conforme escrevi antes, acho esta possibilidade difícil, pois sigo a teoria da Mútua Destruição Assagurada. Mas muitos analistas discordam de mim e acham que esta teoria não se aplica a um regime como o iraniano.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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