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Irmandade versus Exército na final da eleição do Egito é o pior dos cenários possíveis

gustavochacra

25 Maio 2012 | 10h27

no twitter @gugachacra

Um segundo turno entre o candidato da Irmandade Muçulmana, Mohammed Morsi, e o ex-premiê e militar Ahmad Shafik, ligado ao antigo regime, é o pior dos cenários para a estabilidade do Egito no curto prazo. Os dois polarizarão a sociedade egípcia nas próximas semanas, com elevado risco de violência e choques nas ruas das principais cidades do maior país árabe do mundo.

A cosultoria de risco político Eurasia, por meio de seu analista e meu amigo Hani Sabra, acabou de publicar relatório com título na mesma linha que o meu.

De um lado, estarão os que temem o aumento do conservadorismo religioso no país com a vitória de Morsi. Egípcios laicos e cristãos não querem o Cairo e Alexandria se parecendo com Riad ou Jeddah, onde as mulheres e as minorias possuem menos ou nenhum direito.

Para completar, as poderosas Forças Armadas precisariam aceitar a Irmandade controlando o Parlamento e o Poder Executivo, praticamente dominando o país e reduzindo exponencialmente a força dos militares.

Do outro lado, se posicionam os egípcios que repudiam a eleição de um integrante do regime de Hosni Mubarak. Será o fracasso da revolução porque o objetivo de retirar os militares do poder não terá sido atingido. Mesmo antes dos levantes na praça Tahrir, Shafik já era cotado como sucessor de Mubarak.

A tendência, nas próximas semanas, será de agravamento nas tensões no Cairo. Mesmo depois da votação, os dois lados devem provocar instabilidade. O poder teria ficado mais balanceado com a vitória do ex-diplomata Amr Mousa.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios