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Israel cometerá erro histórico ao votar contra a Palestina

gustavochacra

28 de novembro de 2012 | 13h27

Em 1948, os países árabes não aceitaram a partilha da ONU, deixando de reconhecer o Estado judaico que viria a ser criado meses depois com o nome de Israel. Exatos 64 anos mais tarde, os israelenses votarão contra o reconhecimento da Palestina na mesma Nações Unidas em Nova York.

A partir de amanhã, tenham certeza, nos debates entre defensores dos israelenses e da Palestina, o argumento de que os palestinos não reconhecem Israel perderá força. A resposta será simples. “Sim, reconhecemos Israel na ONU no dia 29 de novembro de 2012. Mas os israelenses se recusaram a reconhecer a Palestina”.

Por este motivo, independentemente do que venha a acontecer depois, Israel deveria votar a favor do reconhecimento da Palestina. E, a este, somam-se outros. Primeiro, a Palestina será reconhecida de qualquer maneira independentemente do voto de Israel e dos EUA. É uma derrota certa para os israelenses. Segundo, o reconhecimento da Palestina fortalecerá Abbas em detrimento do Hamas. Terceiro, esta aprovação poderia servir de base para a retomada das negociações.

Benjamin Netanyahu, premiê de Israel, daria um passo gigantesco para a paz se votasse a favor da Palestina amanhã. Seria ainda mais hábil se sentasse com os palestinos para elaborar o texto em conjunto.

Até agora, não consegui ser convencido por nenhum argumento de que o reconhecimento seria prejudicial para a paz. Por favor, se forem contra reconhecer a Palestina, pediria que apresentassem os argumentos

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009 e comentarista do programa Globo News Em Pauta, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti, Furacão Sandy, Eleições Americanas e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen.  No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios


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