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Israel ficará mais seguro no curto prazo, mas Gaza ainda será uma prisão

gustavochacra

16 de janeiro de 2009 | 10h25

Os acordos para cessar-fogo devem garantir uma maior segurança na fronteira entre a Faixa de Gaza e Israel. Os planos sugeridos até agora indicam que forças internacionais ajudarão o Egito a controlar o contrabando de armamentos que entra no território palestino. As cidades do sul de Israel tendem a ficar mais seguras. A guerra atingiu o seu objetivo, pelo menos para os israelenses.

Mas é importante lembrar que a Faixa de Gaza não irá desaparecer. Sua população de 1,5 milhão de habitantes pode ter diminuído em 1.100, que é o total de vítimas até agora, incluindo centenas de crianças. Os sobreviventes continuarão morando neste território. O que acontecerá com estes palestinos? Sem poder controlar o seu espaço aéreo e as suas águas, seguirão bloqueados – ou presos, literalmente – entre uma fronteira cerrada com o Egito e outra na qual passará apenas ajuda humanitária com Israel.

Basicamente, Gaza ficará um território de refugiados, que sobrevive graças à ajuda humanitária da ONU, onde os habitantes não podem exportar os seus produtos e tampouco importar o que necessitam. Não podem ter moeda, não podem viajar, não podem conhecer nada além dos muros que os cercam. Não podem ter passaporte. Não serão parte de um país. Viverão no limbo. Mais ou menos como antes do conflito, mas sem disparar foguetes. Podem dizer que a culpa é do Hamas, de Israel, do Fatah ou do Egito. Mas, pensem bem, dá para imaginar que um povo aceitará por muito tempo ficar nestas condições? Dá para imaginar que eles vão parar de lutar?

Caso não incluam um plano de ajuda econômica para o desenvolvimento da Faixa de Gaza, os amigos das crianças que morreram criarão um grupo bem mais radical do que o Hamas em menos de dez anos.

IMPORTANTE
O que escrevi acima é o que deve ocorrer de acordo com as propostas de cessar-fogo. Mas ainda não houve trégua

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