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Israel irrita os EUA – Lula irrita o mundo

gustavochacra

10 de março de 2010 | 12h24

Israel anunciou a construção de 1.600 novas unidades residenciais em um assentamento em Jerusalém Oriental, reivindicada pelos palestinos como capital de um futuro Estado. A ação foi anunciada pelo Ministério do Interior, controlado pelo partido ultra-ortodoxo Shas, através de um comunicado do escritório do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu. O premiê, que recebia a visita do vice-presidente dos EUA, Joe Biden, disse ter sido informado apenas minutos antes. O número dois de Barack Obama demonstrou irritação.

Aliado histórico dos israelenses, Biden, que em um debate eleitoral disse amar Israel, afirmou que “a substância e o momento do anúncio são precisamente o tipo de ação que atrapalha a confiança que precisamos agora. Deveríamos construir uma atmosfera de confiança, não complicá-la”, afirmou o vice-presidente em Jerusalém.

Israel afirma que Jerusalém é sua capital indivisível, pois é a cidade mais sagrada para os judeus. Os palestinos argumentam que a maioria absoluta da população da parte oriental é palestina. Além disso, há lugares sagrados para os árabes cristãos e palestinos. Logo, há questões demográficas, simbólicas e religiosas na disputa.

Do episódio, ficam algumas lições. Primeiro, Israel não se importa a mínima com o governo Obama, ao anunciar esta construção no dia da visita de Biden. Em segundo lugar, ou Netanyahu não controla o seu governo, ou ele mentiu ao dizer ter tomado conhecimento da construção das novas unidades minutos antes. Por último, e mais importante, Israel parece querer ignorar a comunidade internacional e expandir as suas colônias na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental. Assim, sobram três opções para Israel, como escrevi aqui algumas vezes.

1 – Incorporar toda a Cisjordânia e Jerusalém Oriental, concedendo cidadania aos palestinos ali residentes. Neste caso, em pouco tempo, os judeus deixariam de ser maioria em seu próprio país e Israel não seria mais um Estado judaico

2 – Israel poderia expulsar todos os palestinos para os países vizinhos, no que se configuraria em uma limpeza étnica com provável isolamento dos israelenses em toda a comunidade internacional, sem falar no risco elevado de violência e em uma das maiores violações dos direitos humanos em todo o século 20 (esta opção é defendida apenas pelos mais radicais israelenses, não podendo ser levado a sério)

3 – Finalmente, Israel poderia ter a Cisjordânia e Jerusalém Oriental, sem conceder cidadania aos palestinos em um Estados de Apartheid

Claro, existe a opção da criação de dois Estados. Esta é a única saída óbvia. E a definição de como seria este Estado deveria ocorrer mediante negociações entre palestinos e israelenses

Lula e sua declaração infeliz

Lamentável e vergonhosa a declaração do presidente Lula sobre os prisioneiros políticos de Cuba, os comparando a criminosos comuns. A Dilma, que recebeu tratamento similar na época do regime militar, deveria se manifestar contra o presidente. Aliás, neste caso, é ainda pior. Os prisioneiros cubanos lutam pela democracia, enquanto algumas figuras do nosso governo tentavam instalar um regime comunista nos moldes cubanos no Brasil.

De verdade, não dá para entender como Cuba, sem dinheiro algum, consegue controlar as mentes da América Latina, incluindo a de líderes democráticos como Lula. Por que este amor por Fidel?

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