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Israel pode ser a cosmopolita e cativante Tel Aviv ou a tensa e ocupada Hebron

gustavochacra

31 de janeiro de 2009 | 07h22

Israel pode ser Tel Aviv. Um cidade à beira do mar, cosmopolita, liberal e cheia de jovens. Seus cafés e restaurantes na rua Dizengof ou na Rothschild, a poucas quadras da praia, e os prédios de três e quatro andares fazem lembrar o Rio de Janeiro e Santos. Tel Aviv parece ser brasileira. Em certos momentos, dá a sensação de estar na rua Ataulfo de Paiva, no Leblon. Não faltam nem as barraquinhas de sucos naturais, os surfistas, as meninas descoladas, os senhores de bem com a vida, idosos aproveitando o ar puro, as ruas planas e os cinemas de uma cidade que certamente é uma das melhores metrópoles do mundo. Há também o lado Buenos Aires ou Lisboa, com o porto remodelado para receber restaurantes nos moldes do Puerto Madero ou das Docas de Alcântara. Não fosse a dificuldade da língua, Tel Aviv seria certamente um dos lugares mais fáceis para qualquer brasileiro se adaptar no mundo. Não apenas os judeus. Insisto, qualquer brasileiro, inclusive muçulmanos. Na manhã de ontem, vi algumas meninas árabes vendo lojas em Tel Aviv sem serem importunadas e sem importunarem ninguém. Porque Tel Aviv é como Nova York, Londres, Paris e Rio de Janeiro.

Mas Israel também pode ser Hebron. Uma cidade no meio da Cisjordânia onde vivem cerca de 200 mil palestinos. No meio deles, entre 400 e 500 colonos protegidos por soldados e grades. Os dois lados não se gostam. Aliás, se odeiam. Os colonos vivem em algumas casas nos andares de cima de lojas de árabes. Muitas vezes, decidem lançar lixo e excrementos nos comerciantes palestinos que, para se protegerem, tiveram que colocar redes no alto da rua. Para ir rezar na mesquita de Abraão, os palestinos são obrigados a cruzar três detectores de metal. Até o cinto tem que ser retirado. Os colonos entram pelo outro lado. Também cruzam um detector de metal. Mas é mera formalidade. Vi um deles cruzando e o aparelho apitando. O soldado não fez nada. Em 1994, o terrorista judeu Baruch Goldstein matou 29 muçulmanos que rezavam na tumba dos patriarcas. Hoje o local é completamente dividido para evitar confrontos. O resto da cidade velha de Hebron está quase abandonada, com soldados circulando nas ruas diante dos raros comerciantes que insistem em abrir as suas lojas para turistas inexistentes.

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