As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Israel tem a chance histórica de ser reconhecido pelos países árabes e o Irã na ONU

gustavochacra

20 Setembro 2011 | 08h40

no twitter @gugachacra

Se eu fosse o Binyamin Netanyahu, não perderia a oportunidade histórica de reconhecer o Estado palestino nas Nações Unidas. E quem concorda comigo é o Yossi Beilin, principal negociador pelo lado israelense dos Acordos de Oslo. Na semana passada, conversamos por mais de uma hor em um hotel aqui de Nova York sobre a iniciativa palestina de buscar o reconhecimento do Estado como membro pleno da ONU.

Notem que os palestinos querem um Estado com base nas fronteiras de 1967, Jerusalém Oriental como capital e não tocam na questão dos refugiados. Agora, observemos o outro lado da equação. Israel teria finalmente Jerusalém (pelo menos o lado ocidental) reconhecida como capital, assim como todo o território do outro lado da linha verde e sem a necessidade de se falar nas centenas de milhares de refugiados.

Mais importante, seria reconhecido não apenas por nações européias e EUA, que ainda mantêm a sua capital em Tel Aviv, como também por todos os países árabes e o Irã. Isso mesmo, o reconhecimento palestino pela ONU implica indiretamente o reconhecimento de Israel mesmo pelos iranianos, sírios, sauditas e quem quer que seja que ainda use o termo entidade sionista.

O problema, como diz Beilin, é que Israel e EUA, em vez de aproveitar a oportunidade, sequer querem ver como será o texto palestino para alterar alguns pontos e, por que não, impor algumas demandas israelenses.

Leiam ainda o Radar Global. Também acompanhem a página do Inter do Estadão no Facebook

Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes. Os comentários dos leitores não refletem a opinião do jornalista

O jornalista Gustavo Chacra, correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios