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Istambul, Dubai e Tel Aviv estão mais perto de São Paulo; Beirute ainda não

gustavochacra

14 de maio de 2009 | 17h59

Viajar de São Paulo para o Oriente Médio, por muitos anos, implicava uma escala na Europa. Paris, Milão, Londres ou Amsterdã. Dependia da companhia aérea e do preço. Cheguei a viajar para Beirute, em 1999, via Moscou, pela Aeroflot. O vôo era São Paulo –Tunis – Moscou e, uma vez na Rússia, onde permaneci seis dias, peguei um vôo para o Líbano.

Agora, dá para voar da capital paulista diretamente para Tel Aviv, Istambul e Dubai. A sensação de ver escrito “Turkish”, “El-Al” e “Emirates” nas placas dos terminais de Cumbica me fez, por um instante, imaginar que estava mais próximo do Oriente Médio, dos bares de Tel Aviv, do estádio do Beçiktas, dos morangos de Gaza.

Falta ainda um vôo direto para Beirute. Já tivemos e, segundo me informaram no Monte Líbano, a Varig seria a proprietária. Quando Rafik Hariri esteve no Brasil, em 2004, ele me disse em entrevista que pretendia negociar com o governo brasileiro um vôo São Paulo – Beirute pela Middle Eastern. Até agora, nada.

No caso do Líbano, não existe sequer a justificativa de falta de mercado. Embarque em um vôo para Paris ou Milão pela Air France ou Alitalia e, na sequencia, entre no avião para Beirute. Pelo menos um de cada dez passageiros é oriundo de São Paulo.

Os aviões da El-Al, para Tel Aviv, saem com membros da comunidade judaica e também com muitos evangélicos que pretendem conhecer a Terra Santa. A escolha de São Paulo, em vez de Buenos Aires, mostra a importância da capital paulista para os israelenses, apesar da população judaica ser inferior à da Argentina. Também muitos jovens “sabra” gostam de visitar o Brasil no ano seguinte ao fim do serviço militar. Trancoso, Ilha Grande e até Maresias estão na rota dos ex-IDF.

A Emirates se tornou um “hub” para viagens para a Ásia, especialmente China e índia. Pelo que me disseram, a novela das 21h da TV Globo sempre menciona que os personagens estão em uma escala em Dubai. Curiosamente, a Emirates cobra menos a passagem para Beirute do que para Dubai, apesar de ser obrigatório passar pelos Emirados Árabes Unidos antes de chegar ao Líbano.

A Turkish pode se tornar um “hub”, além de ligar duas das economias emergentes mais importantes do planeta. Mas eles vieram antes de o Brasil ir até a antiga Constantinopla. Eles levam nossos craques, como Alex e Roberto Carlos, e também saem na frente na hora de ligar os dois países.

A Etihad e a Qatar Airways também pretendem entrar na competição e podem, em breve, anunciar vôos para o Brasil. Muitos brasileiros trabalham como pilotos, aeromoças e comissários de bordo destas companhias.

Escrevi um post parecido tempos atrás, mas decidi voltar ao tema porque ontem me deparei com as placas pela primeira vez.

Cadê a banca de jornal de Cumbica?

Apesar de, aos poucos, poder se voar de São Paulo para diversas capitais do mundo, falta uma banca de jornal no Terminal internacional. É o único aeroporto que conheço onde não é possível comprar um jornal ou uma revista antes do embarque. A livraria La Selva fica antes da entrada para a Polícia Federal e, na hora da pressa, não dá tempo de parar. Fora que, em todas as partes do mundo, o comum é comprar o jornal depois de passar pela imigração.

Curiosamente, a Havana, uma marca argentina de Alfajores, detém a concessão da lanchonete no terminal internacional. Eu adoro, pois sou um fã da Argentina. Mas não deixa de ser interessante notar que os argentinos usam o principal aeroporto do Brasil para vender uma marca de seu país. Fazem muito bem eles.

Falando em alfajores, vale a pena ler o post do Ariel Palacios sobre o tema. Ele escreveu na semana passada.


Israel, 61 anos

Amanhã escreverei o post sobre o aniversário da criação de Israel

Nova York

Já cheguei

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