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Istambul moderna lembra mais São Paulo do que capitais do Oriente Médio

gustavochacra

27 de fevereiro de 2009 | 12h33

Quase todo o mundo sabe que Istambul, geograficamente, é dividida pelo Bósforo entre a Ásia e a Europa. É o velho clichê de “portão do Oriente”. Mas, na verdade, a principal divisão da cidade se dá no lado europeu, por uma baía conhecida como “Chifre de Ouro”. De um lado, fica a Istambul antiga, numa área conhecida como Sultanahmet, onde está a Santa Sophia, a Mesquita Azul, o Grande Bazar e o palácio de Topkapi. A Istambul moderna está do outro lado. E lembra muito São Paulo.

Maior metrópole da Europa, Istambul está longe de ser uma cidade atrasada ou caótica, como o Cairo, destruída por guerras como Beirute ou no estilo Bauhaus de Tel Aviv. Assim como muitos estrangeiros se surpreendem ao se deparar com a capital paulista, os visitantes descobrem uma Istambul que pouco reflete a imagem de uma capital imperial que parou no tempo. Apesar das crises econômicas similares às brasileiras, a Turquia é um dos principais países emergentes do planeta. O PIB é de US$ 930 bilhões – quase o dobro da Argentina.

Com trânsito e obras viárias misturadas a construções modernas, em determinado momento, tive a sensação de estar na ladeira do estádio do Pacaembu em direção à Avenida Doutor Arnaldo. Na realidade, estava caminhando ao lado do estádio Inonu, do Besiktas (Bechktach, em turco), onde irei a uma partida hoje à noite. No fim da subida, virando à esquerda, está a Taksim, que é o coração da Istambul moderna – uma mistura de praça da Sé com a avenida Paulista.

O caminho entre o aeroporto e Taksin também tem similaridades com São Paulo. Mais pelo trâsito do que pelo visual. Em vez do rio Tietê, os carros circulam nas margens do Bósforo, com a Ásia do outro lado e navios atravessando do mar Negro em direção ao mar de Marmara, até chegarem ao mar Mediterrâneo.

Palestina

O Hamas e o Fatah iniciaram um diálogo para formar um governo de união nacional. Os dois grandes partidos palestinos sabem que não chegarão a lugar nenhum se continuarem divididos. O problema é superar as várias diferenças entre as duas facções. Aparentemente, os dois lados deixariam de lado os temas mais delicados para focar no mais importante atualmente, que é a reconstrução de Gaza.

Israelense

Banjamin Netanyahu afirmou hoje que não conseguiu convencer Tzipi Livni a fazer parte do seu governo. O futuro premiê terá que se aliar mesmo a partidos de direita para poder governar. Na verdade, Netanyahu, com a coalizão direitista, poderia implementar os seus projetos de governo, como a “paz econômica”. Tampouco será pressionado a negociar com a Síria a devolução das colinas do Golan. Não era isso que ele queria? Aparentemente, não. Ele apenas enganou os seus eleitores para vencer Livni. Agora, terá que pagar pelo erro. Uma pena. Israel precisava de um governo de união nacional tanto quanto os palestinos.

Iraquiana
A queda no preço do petróleo pode afetar a recuperação do Iraque. No auge do preço do produto, em junho de 2008, quando o barril custava cerca de US$ 150, a expectativa era de um Orçamento de US$ 80 bilhões. Com o valor do barril reduzido em dois terços, o Orçamento foi cortado para US$ 55,8 bilhões. Essa queda ocorre em meio à decisão do governo americano de retirar a maioria de suas tropas em um período de 19 meses.

Síria
Na semana que vem, haverá reunião da Agência Internacional de Energia Atômica. Um dos tópicos será a Síria. A organização encontrou indícios, mas ainda não uma prova, de que o regime de Damasco estava construindo um reator nuclear na instalação destruída em bombardeio israelense em setembro de 2007.

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