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Judeus dos EUA defendem diálogo com o Hamas e criticam futuro governo de Israel

gustavochacra

24 de março de 2009 | 07h42

Os judeus americanos têm repensado o seu apoio incondicional a políticas do governo de Israel. A informação é da J Street, uma organização pacifista pró-Israel que defende o direito de os palestinos terem um Estado ao lado dos israelenses. Este grupo cada vez mais cresce entre os jovens judeus americanos que não toleram muitas das ações israelenses contra os palestinos. Eles são o oposto da AIPAC, uma organização conservadora pró-Israel que, na visão de muitos judeus americanos, apenas prejudica os interesses dos Estados Unidos e dos israelenses.

De acordo com a pesquisa, 69% dos americanos judeus apóiam um diálogo dos Estados Unidos com um governo de união nacional palestino formado pela Fatah e o Hamas. Isso mesmo, os americanos judeus, muitas vezes acusados injustamente de conservadores, defendem que Obama converse com um grupo descrito como terrorista pelo Departamento de Estado. No seu texto, a J-Street lembra com razão que o mesmo número de israelenses, segundo pesquisa do Instituto Truman da Universidade Hebraica, são a favor de negociar com o Hamas.

Três em cada quatro judeus dos Estados Unidos acham que o Estado palestino deva ter as fronteiras próximas do que foi negociado em Camp David e Taba. Já o futuro governo de Netanyahu e quase todos os seus prováveis integrantes descartam a criação de um Estado palestino. Entre eles, o anti-árabe Avigdor Lieberman, que não conta com a simpatia dos judeus americanos. Sua posição sobre os árabes de Israel é rejeitada por 69% dos americanos judeus. Um em cada três, diz a J-Street, reduziria a sua ligação com Israel caso Lieberman seja ministro de alguma pasta importante. O líder do partido Israel Beitenu (Nossa Casa), acusado de ser racista e fascista, é cotado para o posto de ministro das Relações Exteriores.

O apoio da ofensiva israelense a Gaza foi elevado entre os judeus americanos, com cerca de 75%. Mas, ressalta a J-Street, 41% afirma que não houve impacto na segurança de Israel. Outros 18% disseram que os israelenses agora vivem com mais insegurança. Outros 41% disseram que Israel está mais seguro.

O jornalista americano Tony Karon, baseado em Nova York, escreveu um artigo no jornal “The National”, o principal dos Emirados Árabes, afirmando que “as comunidades judaicas em países ocidentais por muito tempo foram a carta mais importante contra a pressão internacional porque eles mobilizam apoio a Israel e contêm críticos ao descrever a oposição a políticas israelenses como motivadas por hostilidades aos judeus. (…) Mas o conflito em Gaza diminuiu o entusiasmo de muitos jovens judeus nestes países por causa do militarismo de Israel”. Ele cita como exemplo o jornalista-humorista Jon Stewart, símbolo do liberalismo dos jovens americanos – judeus ou não –, que criticou e ironizou Israel durante todo o conflito.

A J-Street e vários judeus americanos tentam alterar uma imagem equivocada que tem sido difundida sobre a comunidade judaica dos Estados Unidos. Em grande parte por culpa da AIPAC, mas também por muitos críticos de Israel, os judeus americanos são descritos como conservadores. Não são. Na realidade, grande parte do liberalismo americano surgiu com os judeus. A maioria deles é pacifista e critica Israel. O principal crítico do governo de Israel na imprensa americana é o colunista de relações internacionais do “The New York Times”, Roger Cohen. Um judeu. No mundo acadêmico, há muitos outros. Entre os jovens judeus, a ideologia da J-Street é muito mais forte do que a da AIPAC.

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