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Arak e cerveja no carnaval em Beirute + Lula, Honduras e Irã (Continuação)

gustavochacra

29 de setembro de 2009 | 10h49

O Líbano, apesar de seu tamanho minúsculo, menor até mesmo do que o Sergipe, conseguiu influenciar a nossa cultura com a sua culinária e alguns dos seus costumes. O kibe e a esfiha se tornaram tão populares entre os brasileiros que dekaseguis preparam estes pratos libaneses no Japão para matar as saudades do Brasil.

O caminho inverso também ocorre, aos poucos, com alguns libaneses e descendentes transitando entre o Líbano e o Brasil. Em áreas do Vale do Beqa, conforme mostrei aqui há alguns meses, pode-se encontrar feijão, bombom Garoto, sabonete Phebo, bolacha Bono e outros produtos “fundamentais” para um brasileiro longe de sua terra.

Na Universidade Americana de Beirute, há aulas de capoeira. O Brazilian Jiu-Jitsu tem centenas de adeptos entre os adolescentes – aliás, a família Grace não fica muito atrás de jogadores de futebol em popularidade no exterior. Agora, foi a vez do Carnaval no Líbano.

Com o apoio da Embaixada do Brasil e do Café Najjar, 40 passistas da velha-guarda da Vila Isabel estão no Líbano para participar do carnaval. Meu amigo, leitor do blog e ministro-conselheiro da missão brasileira em Beirute, Roberto Medeiros me enviou emails entusiasmados com o sucesso. O jornal An Nahar, o mais importante do Líbano, publicou reportagem se perguntando se era “a praça dos Mártires”, principal espaço aberto de Beirute, ou “o Rio de Janeiro”. O L’Orient le Jour, tradicional jornal francófono do Líbano, e outras publicações também concederam amplo destaque.

A polícia calculou em 13 mil participantes no primeiro dia em Beirute e 7 mil no segundo. Em Zahle, terra natal de muitas famílias libanesas que imigraram para o Brasil, 20 mil pessoas compareceram, segundo a polícia. Mais conservador nas estimativas, Medeiros diz que cerca de 10 mil pessoas estiveram nos dois dias juntos na capital e outras 8 mil na “noiva do Beqa”, como é conhecida Zahle.

Tópico anterior – Lula e Ahmadinejad

O que quis deixar claro no tópico anterior é o seguinte

1. Perguntado, Lula disse NÃO ter conversado sobre a eleição e a questão do Holocausto com Ahmadinejad
2. Seu assessor, Marco Aurelio Garcia, no dia seguinte, afirmou que o presidente brasileiro tocou nestes assuntos. Logo, Lula teria SIM falado com o iraniano
3. Na dúvida, perguntei ao ministro Celso Amorim se Lula falou (SIM) ou NÃO com o Ahmadinejad. O chanceler respondeu que eu deveria perguntar aos “outros dois”, no caso Lula e Garcia

Para simplificar,
Lula = NÃO
Garcia = SIM
Amorim = Pergunte aos Outros

Conclusões

1. Lula ou Garcia mentiu, já que suas versões são distintas
2. Amorim se omitiu, ao optar por não responder a pergunta

Tópico Anterior – Lula e Honduras

1. Lula sempre defendeu Cuba e se reuniu com ditadores como Robert Mugabe nesta semana, na Venezuela
2. Independentemente do que tenha havido em Honduras, e não vou entrar na questão, ninguém foi assassinado, o poder é civil e eleições serão realizadas. Por que a diferença no tratamento de Honduras, Cuba e Zimbábue?

Conclusões

1. Caso Lula se recusasse a conversar com qualquer governo que, na sua visão, fosse anti-democrático, tudo bem
2. Caso Lula conversasse com todos os governos, independentemente de como seus governantes chegaram ao poder, também tudo bem

O problema é que o governo brasileiro atribui dois pesos e duas medidas

Verdade, conforme escrevi aqui, os EUA fazem o mesmo com a Síria e o Egito. Tanto Bashar al Assad como Hosni Mubarak dirigem regimes autoritários. Mas o primeiro é visto como inimigo e o segundo como aliado. O mesmo vale para o tratamento dado à China e a Cuba.

Faz parte da política realista internacional. Porém também integra esta mesma política dialogar em caso de necessidade, como George Bush (o pai), na Guerra do Golfo. Na atual crise, o problema está na relutância de o Brasil conversar com Michelleti. Apenas com o diálogo será possível alcançar uma solução para o impasse.

Para concluir, enquanto há carnaval em Beirute, o circo do Zelaya foi montado na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa.

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