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De Damasco a Latakia – Levantes não seguem linhas sectárias

gustavochacra

26 de abril de 2011 | 10h51

no twitter @gugachacra

O regime sírio não é alauíta e tampouco esta vertente do islamismo, minoritária na Síria, comanda o país. Bashar al Assad pode ter nascido alauíta, mas jamais foi religioso. Seu governo, o partido Baath e o comando militar possuem sunitas e cristãos. Os levantes opositores, por sua vez, contam com a participação de alauítas também. O conflito não segue linhas sectárias.

Este seria o primeiro dos mitos que vou aos poucos desmontar nos próximos dias. O regime de Assad tem cunho 100% secular. Já entrevistei um ministro que bebia em meio ao Ramadã. A aliança de poder sírio é formada pelos políticos do partido Baath e a elite sunita, cristã e mesmo alauíta de cidades como Damasco e Aleppo. Quase todos são seculares. O ideal comum sempre foi manter os negócios indo bem entre os empresários, que ninguém se envolveria com Assad.

Os levantes são concentrados em cidades médias, como Homs, Latakia e Daara. Na terceira, tem ocorrido os choques mais violentos. Os protestos ainda não conseguiram reunir um grande número de pessoas em Damasco e Aleppo. No caso da capital, pesa também o funcionalismo público da cidade, que tende a se posicionar ao lado de Assad.

Vamos saber quem está vencendo nesta Sexta-feira quando ocorrerem os protestos. Se manifestações maiores ocorreram em Damasco e Aleppo, será um sinal de que a oposição cresceu. Por outro lado, se não observarmos atos em cidades como Homs e Latakia, significará que o regime, através da violência, terá conseguido conter os protestos.

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O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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