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Libaneses estudam copiar Kassab e podem eliminar cartazes

gustavochacra

26 de setembro de 2008 | 17h58

Na Síria, todas as fotos e cartazes espalhados pelas ruas, estradas, lojas e até retrovisores de táxi são do presidente Bashar al Assad. Não é muito diferente da Jordânia, onde a estrela nacional é o rei Abdullah, apesar da sua maravilhosa mulher, a rainha Rania. Já no Líbano, as imagens nas fotos variam de acordo com a região do país.

Áreas xiitas exibem o xeque Hassan Nasrallah, do Hezbollah, de barba e turbante. Os sunitas têm que ver a cada dez metros o cavanhaque e o gel de Saad Hariri, ou o bigode grisalho de seu pai, Rafik Hariri, que morreu em atentado em 2005. No Shuf, como são chamadas as montanhas drusas, os pôsteres são de Walid Jumblat, que parece um personagem do Senhor dos Anéis. Os cristãos têm diversas opções para colocar nos outdoors, já que os seguidores desta religião no Líbano possuem vários líderes rivais.

Mas, em breve, o Líbano poderá passar por uma operação similar à que Gilberto Kassab implementou em São Paulo – os horrorosos cartazes de políticos poderão ser retirados. A idéia é de Saad Hariri.

Já dá para perceber a mudança nas áreas sunitas de Beirute, onde quase não se vê mais a imagem de políticos. O xeque Nasrallah, dizem, estaria disposto a aceitar a proposta. O objetivo é evitar confrontos como o que recentemente envolveu duas facções cristãs em Zgharta, no norte do Líbano, onde duas pessoas morreram após discussão sobre a colocação ou não de um cartaz.

Alguns críticos afirmam que, na verdade, Hariri está com medo. Os cartazes da parte sunita de Beirute teriam sido retirados porque os moradores temem o grupo xiita Hezbollah, que tomou as ruas da região em maio.

Conhecendo o Líbano, duvido muito que a iniciativa dê certo.

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