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Líbano não tem guerra, mas tem terrorismo – veja as 10 razões

gustavochacra

21 de janeiro de 2014 | 15h04

O Líbano não terá uma guerra civil generalizada como na Síria no futuro próximo, mas cada vez mais será alvo de ataques terroristas como hoje e nos últimos meses, com focos de conflito mais aberto em Trípoli, no norte do Líbano, e também em algumas áreas do Vale do Beqaa próximas à fronteira com a Síria

Os seguintes fatores impedem uma guerra civil no Líbano

1) O Exército mantém a neutralidade e não possui viés sectário. Todos os lados respeitam as Forças Armadas

2) Há líderes claros de cada facção política. Os xiitas têm o xeque Nasrallah (Hezbollah) e Nabi Berri (Amal); os cristãos possuem Michel Aoun (FPL) e Samir Gaegea (LF); os sunitas tem Saad Hariri (Future); os drusos tem Walid Jumblat. Todos eles mantêm canais de diálogo

3) Deve haver um acordo para a formação de governo com a presença dos membros da 8 de Março (xiitas do Hezbollah e Amal mais cristãos da FPL) e da 14 de Março (sunitas da Future e cristãos da LF). Os drusos de Jumblat também farão parte

4) Todos os principais grupos políticos e armados perderiam com uma guerra civil. Afinal, os dois lados investiram em reconstrução de áreas do Líbano

5) O Hezbollah não tem interesse em abrir uma frente de guerra no Líbano enquanto luta na Síria e precisa manter contingência em relação a Israel

Mas os seguintes fatores alimentam a instabilidade

6) Crescimento de grupos ligados à Al Qaeda no Líbano que não respeitam nenhuma autoridade política. O principal alvo dos atentados destas organizações terroristas são redutos do Hezbollah, seu maior inimigo

7) Envolvimento de facções políticas sunitas e xiitas na Guerra da Síria. O Hezbollah luta abertamente a favor de Assad; os aliados de Hariri apoiam os rebeldes e são acusados de transferir armas – há também milícias sunitas libanesas lutando com a oposição na Síria

8) Presença de 1,5 milhão de refugiados, sendo dois terços deles sírios e um terço palestino, dentro de uma população de 4 milhões

9) Interesses externos de países como o Irã, Arábia Saudita, EUA e Síria

10) Tensão na fronteira com Israel

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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